Polícia identifica novas vítimas e revela estrutura do grupo investigado na operação Livia

Foto: Divulgação/PCMS
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Após primeira e segunda fase cumpridas da operação Lívia, a investigação revelou 12 integrantes do grupo virtual organizado para promover violência e coagir adolescentes. Segundo a polícia, os grupos, chamados pelos próprios integrantes de “panelas”, reuniam jovens de diferentes contextos sociais e utilizavam ameaças, manipulação e exposição de informações pessoais para controlar as vítimas.

Durante coletiva de imprensa, a delegada Anne Karine Trevisan, titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), afirmou que a apuração identificou que a maioria das vítimas identificadas até o momento são do sexo feminino. As meninas eram submetidas à automutilação e, em alguns casos, eram obrigadas a realizar cortes no próprio corpo, além de escrever nomes de integrantes dos grupos com sangue.

No caso de Lívia, a polícia afirma que a adolescente sofreu esse tipo de violência antes de morrer, em 22 de julho. Uma Bíblia que teria sido utilizada pela menina durante um dos rituais foi apreendida pelos investigadores.

Ainda de acordo com a delegada, Lívia sofreu diversas ameaças à sua família até o momento da sua morte. Para que ela realizasse as ordens, os integrantes enviavam fotos e vídeos dos seus pais, além de exibirem diversos dados pessoais que eram adquiridos por amigos da “panela”.

Hierarquia de maldade

Conforme o andamento das investigações e com a perícia nos aparelhos eletrônicos dos autores apreendidos durante a primeira fase da operação, a equipe policial aponta que a prática de atos violentos também funcionava como uma espécie de hierarquia e reconhecimento dentro das comunidades. Quanto maior o grau de violência praticado, maior seria a fama conquistada entre os integrantes. Dependendo dos feitos realizados, o adolescente poderia se tornar um dos chefes.

Outras vítimas

Segundo a Polícia Civil, outras vítimas foram identificadas em MS e em outros estados. Uma das vítimas relatou à polícia que foi obrigada a realizar o recrutamento de outros integrantes para o grupo, além de praticar automutilação e violência contra animais.

Além disso, os agentes conseguiram identificar o modus operandi do grupo criminoso, em que o contato começava em plataformas abertas da internet. Os investigados frequentavam comunidades relacionadas a diferentes assuntos e buscavam adolescentes que consideravam vulneráveis.

Depois de estabelecer contato, os suspeitos utilizavam perfis falsos, usernames e fotografias para se passar por outras pessoas e conquistar a confiança das vítimas. A partir das conversas, reuniam informações sobre a rotina, a família, a escola e situações pessoais dos adolescentes.

Esses dados posteriormente eram utilizados para pressionar e ameaçar as vítimas, numa estratégia descrita pela delegada como uma espécie de engenharia social.

Conforme relatado pela delegada, o alvo do grupo eram adolescentes que passavam grande parte do tempo dentro dos quartos, invertiam os horários de sono e mantinham principalmente relações de amizade pela internet.

Transmissão do crime em redes sociais

A investigação também descobriu que a morte de Lívia teria sido acompanhada por integrantes de mais de uma comunidade. Segundo a Polícia Civil, duas “panelas” se uniram para formar uma plateia que acompanhou o chamado “evento” em tempo real.

A transmissão teria ocorrido por meio do Zangi e do Discord, enquanto o conteúdo também chegou ao Instagram.

Entre as comunidades frequentadas pelos investigados estavam grupos com conteúdos relacionados à misoginia e ao nazismo, segundo a delegada.

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Seis adolescentes são apreendidos em nova fase

Com apoio do Cyberlab, do Ministério da Justiça e de forças policiais de outros estados, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia.

Seis adolescentes, entre 13 e 17 anos, foram localizados e apreendidos. De acordo com a Polícia Civil, todos teriam participação efetiva no caso de Lívia e ocupavam posições relevantes dentro das comunidades investigadas.

Com os novos alvos, o número de pessoas investigadas no caso chega a 12, considerando os cinco adolescentes e um adulto apreendidos durante a primeira fase da operação.

Durante os interrogatórios, ainda segundo a Polícia Civil, os adolescentes investigados não demonstraram arrependimento e, conforme a avaliação apresentada pela delegada, buscavam reconhecimento e fama dentro das comunidades.

A investigação continua para identificar e analisar a participação de cada adolescente apreendido.

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