Parentes questionam alta hospitalar, versão apresentada pelos pais e pedem investigação ampla do caso
A morte da bebê de 1 ano e 7 meses, dias após um suposto atropelamento no Bairro Nova, em Campo Grande, ganhou novos desdobramentos com denúncias da família sobre possível negligência no atendimento médico e suspeitas que vão além da dinâmica do acidente.
Como já noticiado, a criança teria sido atingida por uma motocicleta enquanto estava no colo do pai, em uma praça do bairro, na última quinta-feira (26). O boletim de ocorrência foi registrado na Depac Centro (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário). Segundo o registro policial, o pai não informou às autoridades quem conduzia o veículo.
Após o acidente, a menina foi levada a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e, posteriormente, encaminhada à Santa Casa. Ela recebeu alta hospitalar, mas apresentou piora no estado de saúde horas depois e precisou retornar à unidade, onde permaneceu internada até a morte.
Em entrevista ao Jornal O Estado, o bisavô relatou que a criança apresentava sinais claros de dor. “Quando eu peguei ela no colo, ela falou: ‘ai vô, dói demais’. Ela estava sentindo muita dor. Não tinha condição de estar bem”, afirmou.
Ele questiona a decisão de liberar a bebê após o primeiro atendimento. “A Santa Casa liberou pra ir pra casa. Como que libera uma criança nessas condições? Sem fazer exame? Essa é a dúvida que nós queremos esclarecer”, disse.
Segundo familiares, após a nova internação, foram repassadas informações de que a menina apresentava costela fraturada e possível lesão na cabeça. “Falaram que ela estava com costela quebrada e mancha no cérebro. A pergunta é: ela já estava assim e liberaram? Ou isso aconteceu depois?”, indagou o bisavô.
Além das dúvidas sobre o atendimento médico, parentes também relatam comportamento considerado suspeito por parte dos pais após o acidente. “Eles estavam escondendo alguma coisa. Não queriam mostrar boletim, não falavam quem foi”, declarou.
Há ainda relatos de vizinhos sobre possíveis episódios anteriores de maus-tratos, incluindo suspeitas de agressões físicas. As informações não foram confirmadas oficialmente e devem integrar a apuração das autoridades.
Procurada, a Prefeitura de Campo Grande, por meio da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), informou que não pode divulgar detalhes sobre atendimentos individuais, citando a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o sigilo médico. A Santa Casa não respondeu até a publicação desta matéria. O Conselho Tutelar também foi acionado, mas não houve retorno.
A criança foi enterrada na tarde desta segunda-feira (30), no Cemitério Jardim da Paz. O caso segue sob investigação.
Com informações de Suelen Morales
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