Segundo a denúncia, crime teria sido cometido para esconder golpe envolvendo supostos investimentos; investigação apontou presença do réu no local
Um homem acusado de matar um rapaz ao lançá-lo de um precipício de aproximadamente 28 metros de altura, na região da Cachoeira do Inferninho, em Campo Grande, será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o homicídio teria sido cometido para ocultar um esquema de estelionato envolvendo a vítima.
O crime aconteceu em abril de 2020. Conforme a acusação, o réu teria atraído o rapaz até a área rural e o lançado do alto do despenhadeiro. O exame pericial apontou traumatismo cranioencefálico grave como causa da morte e indicou que a vítima poderia ter sido lançada desacordada ou já morta.
A acusação sustenta que o homicídio estaria relacionado a um suposto golpe financeiro. De acordo com a investigação, o acusado teria convencido a vítima a fazer investimentos com promessa de retorno e, no período em que ocorreu o assassinato, os valores deveriam ser resgatados.
Investigação apontou movimentações em contas e redes sociais
Durante a apuração, foram autorizadas quebras de sigilos telefônico e bancário. Segundo o MPMS, os dados obtidos indicaram que o acusado tinha controle sobre contas bancárias e redes sociais da vítima.
A investigação também apontou que ele teria orientado o investidor a apagar o histórico de localização de um aplicativo e cadastrado o próprio e-mail como contato para recuperação de senha.
Outro elemento utilizado pela acusação foi a geolocalização. Conforme o MPMS, os registros contrariaram a versão apresentada pelo réu de que estaria viajando para Várzea Grande (MT) no dia do crime e indicaram sua presença nas proximidades da Cachoeira do Inferninho.
O MPMS denunciou o homem por homicídio duplamente qualificado. Uma das qualificadoras está relacionada à forma como, segundo a acusação, a vítima teria sido morta, sem possibilidade de defesa. A outra seria o objetivo de assegurar a impunidade ou vantagem relacionada ao suposto estelionato.
Outros dois homens também foram denunciados por favorecimento pessoal. De acordo com a investigação, eles teriam ajudado o principal acusado a escapar da ação policial e participado da ocultação ou descarte da motocicleta da vítima, o que teria dificultado a apuração do crime.
A defesa tentou impedir o julgamento pelo Tribunal do Júri por meio de recurso, mas a medida não avançou. Com isso, foi mantida a decisão que reconheceu a existência de elementos suficientes para que o acusado seja submetido ao julgamento popular.
Agora, o processo segue para a definição da data da sessão no Tribunal do Júri de Campo Grande.
A decisão de levar o caso a júri não representa condenação: caberá aos jurados analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade penal do acusado.