Comerciante morta pelo irmão é a 27ª vítima de feminicídio em MS

Crédito: Nilson Figueiredo / Jornal O Estado
Crédito: Nilson Figueiredo / Jornal O Estado

Segundo informações de autoridades, o irmão entrou no comércio onde a mulher trabalhava, no bairro Zé Pereira, efetuou um disparo e tirou a própria vida em seguida

Uma mulher morreu após ser baleada pelo irmão identificado como Judicrei Rossatti da Cunha, na tarde desta quarta-feira (6), no interior do comércio em que trabalhava, localizado na Rua Sagarana, no bairro Zé Pereira, em Campo Grande. Segundo o Monitor de violência com mais esse óbito o Estado registra a 27ª vítima de feminicídio. 

Em conversa com a reportagem, o tenente Miranda, oficial do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, contou que a vítima, identificada como Vera Lucia Rossate, estava trabalhando em uma casa de aviamentos conhecida pelos moradores do bairro quando teve uma discussão com o irmão.

“Parece que ela teve uma discussão com o irmão que ainda não foi identificado. Ele atirou nela e depois atirou em si mesmo”, disse.

Quando os socorristas chegaram ao local, os dois já haviam ido a óbito. A polícia foi acionada após um dos vizinhos escutar um estampido. Ele verificou o que havia acontecido e, ao encontrar os corpos, chamou por socorro.

O tenente não soube informar se a vítima tinha alguma desavença com o irmão. A dinâmica do crime será investigada pela polícia, que poderá utilizar as imagens do circuito interno de câmeras do estabelecimento.

Um vizinho que conversou com o tenente do Corpo de Bombeiros informou que a vítima era uma boa pessoa, mas não tinha informações sobre o irmão, que teria tirado a própria vida após balear a mulher na cabeça.

A amiga da vítima, Laura Leite da Silva, moradora da região há mais de 30 anos, contou que Vera, como era conhecida, era uma mulher trabalhadora.

“Ela era bancária, trabalhava num banco, me deu muitas dicas, me ensinou bastante, aprendi muita coisa com ela. Criamos nossos filhos sem ajuda de ninguém, tivemos que nos manter e ela me dava muitas dicas”, lamentou.

Ainda segundo a amiga, a relação de amizade entre as duas cresceu à medida que uma trocava ideias com a outra sobre a vida de mãe solo e a realização de atividades autônomas para complementar a renda de casa.

“Hoje eu viria aqui na loja. Ela mandou mensagem nove e pouco e eu falei: ‘Vou ver se passo na loja’. Aí a vizinha passou falando: ‘Mataram a Vera, mataram a Vera’. Eu não tô acreditando porque ela nunca contou nada.”

Internação pode ter motivado ataque

Segundo a delegada Analu Lacerda Ferraz, Judicrei era usuário de drogas e teria passado por uma internação compulsória. Após receber alta, ele teria passado a culpar a irmã pela internação e feito ameaças contra ela.

A delegada explicou que a possível relação entre a internação e o crime ainda será esclarecida durante a investigação, com a oitiva de testemunhas.

“Ele teve alta, mas ele culpava a irmã dela por conta disso. A princípio a gente ainda vai ouvir as testemunhas para ter mais informações só que foi feminicídio seguido de suicidio mesmo. Ele chegou armado atirou nela e logo em seguida em si mesmo”.

A ocorrência é tratada pela polícia como feminicídio seguido de suicídio. A investigação deverá apurar as circunstâncias e a possível motivação do crime.

Com o caso, o número de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul chega a 26, segundo o monitor de violência citado nas informações sobre a ocorrência. A contabilização e a classificação oficial do crime ainda dependem da apuração das autoridades.

 

** Com Maria Gabriela Arcanjo

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