O advogado Oswaldo Meza, responsável por uma ação popular que cobra a prestação de contas da Santa Casa de Campo Grande, afirmou nesta sexta-feira (11) que existem indícios de corrupção na administração do hospital. Ele também pediu à Justiça busca e apreensão de documentos e informações financeiras da instituição. A manifestação ocorre no mesmo dia em que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Antidotum para investigar fraudes e desvios de recursos em contratos ligados à Santa Casa.
Segundo Meza, a ação popular partiu da sociedade civil diante da situação financeira enfrentada pelo maior hospital de Mato Grosso do Sul e da falta de transparência que ele atribui à administração. “Há indícios de corrupção. A Santa Casa fala que não tem recurso, que o governo não passou recurso, que a prefeitura tem que passar recurso, mas a grande verdade é que a Santa Casa está cada vez mais endividada e não presta contas”, afirmou.
O advogado disse ainda que a iniciativa busca esclarecer como os recursos são administrados e contribuir para que os serviços oferecidos à população sejam normalizados. Ele citou problemas como falta de medicamentos e insumos e afirmou possuir documentos que, segundo ele, sustentam os questionamentos feitos na ação.
“Nós entramos com essa ação popular, iniciativa da sociedade civil, para que o maior hospital de Campo Grande, de Mato Grosso do Sul, e a nossa saúde voltem a atender a população, porque hoje faltam insumos, faltam medicamentos. Depois da gestão da atual presidente, a mortalidade aumentou em 5%. Nós temos os relatórios do Ministério Público, nós temos relatórios de auditoria independente”, declarou Meza.
Ao comentar a operação realizada pelo MPMS, Meza afirmou esperar que as investigações identifiquem eventuais responsáveis pelas irregularidades. “Essa Operação Antidotum está sendo realizada para realmente colocar na cadeia quem tem culpa”, disse.
A Operação Antidotum é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Conforme informações do MPMS, a ação prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Na Santa Casa, buscas atingem setores ligados à presidência e à administração. Até o momento das informações repassadas à reportagem, a presidente da instituição, Alir Terra, não havia sido localizada.
Entre os contratos investigados está o de digitalização de prontuários médicos, que previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o Ministério Público, aproximadamente R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano, por meio de pagamentos sem a correspondente prestação dos serviços.
A investigação também alcança contratos da Operadora Santa Casa Saúde com empresas de um mesmo grupo econômico. O MPMS aponta que cerca de R$ 9,6 milhões foram pagos a essas empresas em 2025 e estima prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões. Considerando os dois núcleos da investigação, as perdas já identificadas ultrapassam R$ 4,9 milhões, mas o valor total ainda está sendo apurado.
Em nota, a Santa Casa informou que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela Operação Antidotum e se colocou à disposição para fornecer informações, documentos e esclarecimentos formalmente solicitados. A instituição não comentou especificamente as acusações feitas pelo advogado nem detalhou os contratos investigados pelo Ministério Público.

Com colaboração da repórter Ana Clara Julião
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