Pantanal apresenta a maior queda no número de área queimada e Corumbá lidera entre municípios

Foto: MapBiomas
Foto: MapBiomas

Dados de 2025 mostram queda no fogo, mas cidades pantaneiras seguem no centro do alerta

O MapBiomas divulgou nesta terça-feira (21), quarto novo relatório sobre queimadas no Brasil em 2025. De acordo com o órgão, as áreas atingidas por fogo no país caíram em 31%. O documento traz uma perspectiva ampla sobre todos os biomas e explica porquê as queimadas no Pantanal são piores do que em outros lugares, mesmo que queime menos. Inclusive, o Pantanal teve a maior queda proporcional entre as demais vegetações citadas. Atualmente, a região de fronteira com a Bolívia luta contra o avanço das chamas.

No ano passado, o Pantanal registrou 121 mil hectares queimados, uma redução de 85,6% frente à sua média histórica e a menor área já registrada na região. Embora a queda, focos de incêndio ainda são uma preocupação pelo local. “Em biomas como Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, metade ou mais da área queimada tem severidade alta ou muito alta, ou seja, o impacto sobre a vegetação nesses locais tende a ser mais intenso do que na média do país”, explica o MapBiomas na publicação.

Em todo o país, 64% da área queimada teve severidade moderada ou baixa. No Pantanal, metade ou mais das regiões atingidas pelo fogo ficaram entre severidade alta e muito alta, juntamente com a Mata Atlântica e a Pampa e Pantanal.

O cálculo também mostra que 71,5% de toda a área queimada no Brasil entre os anos de 1985 e 2025 foi registrada em vegetação nativa. Nos locais com atividade humana, como áreas de pastagens e agrícolas, foi mapeado 28,5% do total. Mas o Pantanal supera a média nacional: “o fogo em vegetação nativa segue respondendo por mais de 80% de tudo o que já queimou”, afirma o órgão, que acrescenta a Caatinga, o Cerrado e o Pampa no mesmo cenário.

Corumbá

Nos Estados de Mato Grosso, Pará e Maranhão está quase metade de toda a área queimada de todo o Brasil nos últimos 41 anos, com 47% nos três citados. Eles somam 45,1 milhões, 31,6 milhões e 20,7 milhões de hectares queimados, respectivamente. 11% de toda a área queimada está concentrada em 15 municípios, com destaque para o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, que lidera o ranking histórico.

Cenário nacional

De acordo com a divulgação, o Brasil registrou cerca de 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, quase metade da área registrada em 2024 e 31% abaixo da média histórica, 18,4 milhões de hectares ao ano.

O Relatório Anual do Fogo no Brasil mapeia todas as áreas queimadas do país entre 1985 e 2025 e afirma que 64% de tudo o que já queimou no território brasileiro, desde 1985, pegou fogo mais de uma vez, isso representa quase dois terços do país. A maioria dessas áreas volta a queimar em até quatro anos. Na Amazônia esse retorno é bem mais rápido.

Um ano depois de registrar a maior área queimada já medida, em 2024, a Amazônia teve a menor da série histórica, registrando 3,1 milhões de hectares, menor área mapeada em 41 anos. “A queda interrompe uma sequência de anos de expansão do fogo e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada”, escreve.

Já a Caatinga foi o único bioma que superou a média nacional e queimou acima dela. Foram 505 mil hectares atingidos.

Apesar de o Cerrado ter ficado abaixo da média histórica, ele segue sendo o bioma mais afetado por incêndios em todos os anos. Os registros mostram 8,7 milhões de hectares queimados em 2025 e uma média anual de 9,6 milhões de hectares.

Por Maria Gabriela Arcanjo

 

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