Com aumento de R$ 0,38 no diesel; distribuidoras devem jogar a ‘bomba’ para o consumidor
Segundo comunicado da estatal, o preço médio do diesel A comercializado pela companhia para as distribuidoras passará a R$ 3,65 por litro. Com isso, a participação da Petrobras no preço final do diesel B será, em média, de R$ 3,10 por litro. Com a nova decisão, especialistas consultados pelo O Estado, o consumidor pode sair ainda mais prejudicado com os repasses feitos pelas revendedoras: o conhecido efeito cascata.
O diesel A é o combustível vendido pelas refinarias antes da mistura com biocombustíveis. Já o diesel B é o produto final comercializado nos postos, após a mistura obrigatória feita pelas distribuidoras.
De acordo com a Petrobras, o reajuste foi parcialmente mitigado por medidas anunciadas na quinta-feira (12) pelo governo federal para conter a alta do combustível. Ainda assim, a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pressiona os preços.
Entre as ações do governo está a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins sobre a importação e comercialização do diesel. A medida representa uma queda estimada de R$ 0,32 por litro, segundo cálculos do Ministério da Fazenda.
Além disso, uma Medida Provisória autoriza a concessão de subvenção econômica a importadores e produtores de diesel. O governo poderá pagar até R$ 0,32 por litro, desde que o desconto seja repassado ao longo da cadeia de preços.
Somadas, as duas iniciativas representam um alívio potencial de R$ 0,64 por litro ao consumidor final.
A pressão sobre os combustíveis ocorre em meio à escalada do preço do petróleo no mercado internacional. A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completa duas semanas nesta sexta-feira.
Uma das possíveis retaliações do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem marítima entre os golfos Pérsico e de Omã por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O risco de interrupção no fluxo de petróleo elevou as cotações. Na sexta-feira, o barril do Brent, referência internacional, era negociado próximo de US$ 100 (cerca de R$ 520).
Há duas semanas, o preço girava em torno de US$ 70. Em apenas 15 dias, a alta foi de aproximadamente 40%. Autoridades iranianas chegaram a alertar para a possibilidade de o barril atingir US$ 200.
Impacto na economia
Ele lembra que, no segundo semestre do ano passado, houve duas reduções consecutivas no preço do diesel nas distribuidoras, mas a queda não foi integralmente repassada ao consumidor final.
O economista destaca ainda que o diesel tem papel central na economia, principalmente por ser um insumo essencial para o transporte de cargas e para o setor agropecuário.
“O diesel alimenta máquinas agrícolas e praticamente todo o sistema de frete do país, que depende majoritariamente do transporte rodoviário”, afirma.
Em estados como Mato Grosso do Sul, onde grande parte das mercadorias chega por caminhões vindos de polos produtores como São Paulo e Paraná, o impacto tende a ser ainda maior. O aumento do combustível pode pressionar os custos logísticos e, consequentemente, os preços de alimentos e produtos industrializados.
Além disso, o petróleo é matéria-prima para diversos produtos industriais, como plásticos, resinas e outros derivados utilizados na fabricação de bens de consumo. Por isso, segundo Matos, a alta da cotação internacional do barril pode ter efeitos mais amplos sobre a inflação.
Procon acompanha preços e convoca distribuidoras
O Procon Mato Grosso do Sul informou que acompanha a variação dos preços dos combustíveis no estado. A instituição, vinculada à Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), também monitora a solicitação da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apurar possíveis práticas que prejudiquem a livre concorrência no mercado.
No estado, foi criada uma sala de situação para acompanhar o registro de denúncias e as ações de fiscalização. Inicialmente, as medidas terão caráter recomendatório, orientando que os postos de combustíveis mantenham proporcionalidade nas margens de lucro em relação aos meses anteriores.
O Procon também informou que empresas distribuidoras serão convocadas para uma reunião no dia 19 de março, na sede do órgão, para discutir a instabilidade e a volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional e os efeitos na composição de preços no comércio local.
O órgão afirma que continuará monitorando o mercado local com o objetivo de garantir transparência nas práticas comerciais e proteger os consumidores.
Pressão sobra pro consumidor
Mesmo antes do anúncio oficial do reajuste, consumidores já enfrentavam aumento nos preços em alguns postos. Segundo o economista Eduardo Matos, o movimento foi impulsionado por fatores de mercado e pela reação dos consumidores.
Segundo Matos, a procura por combustíveis aumentou repentinamente após a escalada da tensão internacional, o que levou muitos motoristas a formarem filas em postos. “Esse aumento repentino da demanda pressiona os estoques e acaba elevando os preços nas bombas”, explica.
O economista também aponta que os postos costumam reagir rapidamente em momentos de instabilidade, ajustando suas margens de lucro. “Os estabelecimentos operam com margens apertadas e, diante de cenários de incerteza, acabam ampliando o spread entre o preço de compra e o preço de venda”, afirma.
Para Matos, com o anúncio oficial da Petrobras, a tendência é de novos reajustes ao consumidor, possivelmente até superiores ao aumento proporcional aplicado às distribuidoras.
Ana Krasnievicz