O câncer de testículo, embora considerado raro, acende um alerta importante em Mato Grosso do Sul por atingir principalmente homens jovens e apresentar altos índices de cura quando diagnosticado precocemente. Dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde) apontam que, em 2025, foram registrados 18 casos da doença no Estado, com pacientes atendidos em unidades como o HUMAP (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Hospital do Câncer Alfredo Abrão, Hospital Universitário de Dourados, Santa Casa de Corumbá, CASSEMS e Fundação Pio XII, em Barretos .
Do total de casos, 13 tiveram registro de tratamento e cinco não apresentaram essa informação. Entre as modalidades terapêuticas, a quimioterapia foi a mais utilizada, com nove pacientes, enquanto quatro passaram por cirurgia .
Em nota enviada ao jornal O Estado, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforçou que o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso no tratamento. “A SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforça o papel fundamental da APS (Atenção Primária à Saúde) na promoção da saúde, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de testículo — doença rara, porém mais frequente entre homens jovens. A APS atua como porta de entrada do SUS (Sistema Único de Saúde), orientando a população e garantindo o encaminhamento adequado”, destacou.
A pasta também alerta que, apesar de não existir um rastreamento populacional específico, a prevenção está diretamente ligada à informação e à atenção aos sinais do corpo. “Embora não exista rastreamento populacional específico, a prevenção está relacionada ao reconhecimento dos fatores de risco e detecção precoce. Entre os principais fatores de risco estão: histórico de criptorquidia, histórico familiar ou pessoal de câncer de testículo, alterações testiculares prévias, idade jovem (15 a 35 anos) e algumas condições genéticas”, informou.
Os dados mostram que os casos registrados em 2025 envolvem pacientes com idades entre 14 e 52 anos, com maior concentração em jovens adultos, faixa etária mais suscetível ao desenvolvimento da doença.

Foto: Divulgação
Sinais de alerta e diagnóstico
De acordo com a SES (Secretaria de Estado de Saúde), é essencial que a população masculina esteja atenta aos sinais iniciais. “A população deve estar atenta a sinais como aumento ou endurecimento dos testículos, dor ou desconforto e alterações no formato. O autoexame testicular e a busca por atendimento são fundamentais”, orienta.
O médico urologista Henrique Coelho explica que a incidência maior entre jovens está relacionada à atividade hormonal. “Essas células são muito ativas e passam por intensa multiplicação durante a adolescência e início da vida adulta. Esse crescimento acelerado as torna mais suscetíveis a alterações genéticas que podem levar à formação do câncer no testículo”, afirma.
Segundo ele, o principal sinal de alerta é o surgimento de um nódulo indolor. “Qualquer mudança percebida, mesmo sem dor, deve ser avaliada por um urologista. O diagnóstico precoce é o principal aliado para aumentar as chances de cura, que podem ultrapassar 90%”, reforça.
Apesar disso, o diagnóstico ainda enfrenta desafios, já que os sintomas podem ser confundidos com inflamações, atrasando o início do tratamento.
Tratamento e rede de atendimento
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) explica que a APS (Atenção Primária à Saúde) é responsável pela avaliação inicial e encaminhamento dos pacientes. “A APS realiza a avaliação inicial e encaminha para investigação diagnóstica, garantindo acesso oportuno à rede especializada”, destacou.
O acesso ao tratamento oncológico é feito por meio dos municípios, com regulação dos atendimentos. “O acesso ao tratamento oncológico é organizado pelos municípios por meio dos sistemas de regulação. O Estado atua no apoio à rede e monitoramento, não sendo responsável pela gestão direta da fila”, informou a secretaria.
O tratamento segue protocolos do Ministério da Saúde e pode envolver cirurgia e quimioterapia, dependendo do estágio da doença.
Conscientização e prevenção
Mesmo com números considerados baixos, especialistas destacam a importância da conscientização. O câncer de testículo representa cerca de cinco por cento dos tumores urológicos, e, nos últimos anos, o Brasil registrou cerca de 4,1 mil mortes relacionadas à doença, além de mais de 15 mil cirurgias de remoção do testículo entre 2016 e 2025.
Para a SES (Secretaria de Estado de Saúde), a informação continua sendo a principal aliada no combate à doença. “O câncer de testículo apresenta altas chances de cura quando diagnosticado precocemente. A SES reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo na Atenção Primária.”.
Por Suelen Morales
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