A menina de 3 anos morta durante uma execução em Cassilândia, a 418 quilômetros de Campo Grande, foi a primeira vítima dos disparos efetuados por Joabi Gonçalves Andrade da Silva, conhecido como “Sucuri”. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (5) pelo comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, major Cleyton da Silva Santos, durante coletiva de imprensa.
Segundo o oficial, a criança tinha o hábito de permanecer atrás do banco do motorista enquanto o pai estacionava o carro para desembarcar. Foi justamente nessa posição que ela acabou atingida quando o atirador abriu fogo contra o veículo.
“O disparo pegou na cabeça da criança e passou na parte traseira, na nuca. Foi um crime que teve uma comoção social muito grande”, afirmou o comandante.
O atentado ocorreu no último sábado (1º), na esquina das ruas Nestor Alves Barbosa e João Cristino da Silva, na Vila Pernambuco. O alvo dos criminosos era Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, pai da menina. Ambos morreram ainda no local. Outra criança, uma menina de 12 anos, enteada de Márcio, foi atingida por estilhaços e socorrida.
Investigação levou ao esconderijo dos suspeitos
De acordo com a Polícia Militar, ainda no sábado um homem foi preso e confessou ter pilotado a motocicleta utilizada para levar Joabi até o local do crime. A partir das informações obtidas, as equipes do BPMChoque localizaram o esconderijo do suspeito na zona rural de Cassilândia, onde ele estava acompanhado de outro foragido da Justiça.
Na noite de terça-feira (4), os policiais cercaram o imóvel e realizaram a abordagem. Conforme a versão apresentada pela corporação, ao entrarem no primeiro cômodo da residência, Joabi teria apontado uma arma para a equipe e acabou sendo baleado.
No mesmo local estava Pedro Henrique Silva Barbosa, conhecido como “Pedrinho”, que, segundo a polícia, também reagiu à abordagem e disparou contra os militares. Um dos tiros atingiu o colete balístico de um policial. Os dois suspeitos foram socorridos, mas morreram antes de chegar ao hospital.
Um terceiro homem, identificado como Kewerson Borges Viana, de 23 anos, foi preso. Segundo a polícia, ele possuía um mandado de prisão em aberto por homicídio expedido pela Justiça de Mato Grosso.
Disputa entre criminosos motivou ataque, diz polícia
As investigações apontam que a execução teria sido motivada por uma rivalidade entre grupos ligados ao tráfico de drogas na região do Bolsão.
Segundo o major Cleyton, havia um registro anterior indicando que Márcio teria participado de uma tentativa de homicídio em Paranaíba contra um homem apontado como aliado de “Sucuri”.
“A inimizade vinha dessa relação”, explicou o comandante, acrescentando que a principal linha de investigação envolve a disputa por território entre facções criminosas.
A Polícia Civil continua apurando o caso e também investiga a origem de mensagens e notas que passaram a circular nas redes sociais após o crime.
Histórico policial
Conforme divulgado pela Polícia Militar, Joabi Gonçalves Andrade da Silva acumulava registros policiais desde 2018 por crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, ameaça, lesão corporal, violência doméstica, adulteração de sinal identificador de veículo, tentativa de homicídio, homicídio qualificado e favorecimento à organização criminosa.
Pedro Henrique Silva Barbosa possuía registros desde 2007 por furto, furto qualificado, tráfico de drogas, porte de drogas para consumo pessoal, lesão corporal, dano, vias de fato, sequestro e cárcere privado, desobediência a decisão judicial e direção sem habilitação, além de constar em registros operacionais de abordagens e escoltas de presos.
Os registros policiais mencionados pelas autoridades não representam, por si só, condenações judiciais.
Com colaboração da repórter Sandra Salvatierre
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