Rede particular tem alta de até 294,44% na busca por exames que detectam a gripe Influenza
O cenário em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, é crítico, com UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) lotadas e hospitais sobrecarregados. A situação se agrava devido à falta de testes do painel viral para monitorar os vírus em circulação, já que, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), apenas pacientes internados são testados. Para a COVID-19, a testagem na rede pública ocorre apenas mediante solicitação médica nas 74 unidades básicas de saúde da cidade.
De acordo com o último boletim da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Mato Grosso do Sul tem 1.127 casos notificados de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), com 45 confirmações para influenza: 37 para influenza A e 8 para influenza B, incluindo 13 casos de H1N1, 5 de H3N2 e 19 não subtipados. O Estado registrou até o momento 7 óbitos por influenza. O boletim epidemiológico da COVID-19, atualizado até 1º de abril, aponta 2.397 casos confirmados e 28 óbitos.
No entanto, especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, já que nem todas as pessoas com sintomas gripais são testadas, apenas aquelas que necessitam de hospitalização. A falta de testagem compromete tanto o monitoramento da circulação viral quanto o tratamento adequado de cada caso, conforme ressalta o Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul.
Aumento na procura por medicamentos e autotestes
O aumento na procura por medicamentos antigripais foi observado pelo Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul, levantando preocupações sobre a automedicação e o risco de confusão entre sintomas de diferentes doenças, como dengue e influenza. O uso inadequado de substâncias como o ácido acetilsalicílico (AAS) pode agravar quadros de dengue hemorrágica, por exemplo.
Além da escassez de leitos e da demora nos atendimentos, a cidade enfrenta uma alta demanda por testes de COVID-19 e influenza. Como alternativa, a população tem recorrido a laboratórios e autotestes vendidos em farmácias. Segundo o Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul, a testagem em farmácias varia conforme o estabelecimento. Algumas farmácias deixaram de realizar testes do tipo RT-PCR, mantendo apenas a venda de autotestes para COVID-19, enquanto outras ainda oferecem testagens rápidas. Mesmo assim, pontuam que a cada 10 pacientes, 2 buscam por testes.
No laboratório Labclin, a procura pelo teste do painel viral aumentou significativamente. O exame identifica diversos vírus e algumas bactérias responsáveis por infecções respiratórias, sendo indicado para pacientes sintomáticos e de grupos de risco. Os dados do Labclin evidenciam um expressivo crescimento na testagem entre fevereiro e março. Para COVID-19, o número de pacientes testados saltou de 21 para 49, representando um aumento de 133,33%. A testagem para dengue também registrou alta, subindo de 38 para 47 pacientes, um acréscimo de 23,68%. No entanto, o maior crescimento foi observado nos testes para influenza, que passaram de 18 para 71 pacientes, um aumento de 294,44%, evidenciando a intensificação da demanda por diagnósticos precisos. Os testes custam R$70 (COVID-19), R$90 (Dengue) e R$155 (Influenza).

Foto: Nilson Figueiredo
Painel viral respiratório
O painel viral respiratório é um exame laboratorial que identifica a presença de diversos vírus causadores de infecções respiratórias, incluindo influenza A e B (H1N1), VSR (Vírus Sincicial Respiratório), adenovírus, rinovírus, metapneumovírus, parainfluenza, coronavírus (COVID-19) e algumas bactérias, como Bordetella pertussis (causadora da coqueluche). O exame é indicado para pessoas com sintomas respiratórios, suspeita de infecção viral e monitoramento de pacientes de grupos de risco.
Em uma farmácia na Avenida Mato Grosso, nº 3566, a testagem ocorre somente no período vespertino e noturno, com exames que detectam COVID-19 e dois tipos de influenza, custando em média R$ 59. Já os autotestes apenas para COVID-19 custam aproximadamente R$ 30.
Vacinação como aliada
Para ampliar a cobertura vacinal e reduzir a sobrecarga no sistema de saúde, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) deu início a uma campanha de vacinação contra a influenza em formato drive-thru, com atendimento no Quartel do Corpo de Bombeiros, na Rua 14 de Julho, até o dia 17 de abril. A vacinação ocorre de segunda a sexta-feira, das 18h às 22h, e aos finais de semana em dois períodos: das 7h às 11h e das 13h às 17h. Somente no primeiro dia da ação, 360 doses foram aplicadas.
A rede privada também registrou um aumento na procura pela vacina contra a influenza, com preços variando entre R$ 100 e R$ 150 por dose. Enquanto o imunizante oferecido pelo SUS é trivalente, a vacina disponível na rede privada é quadrivalente, proporcionando proteção contra uma cepa adicional do vírus. Além disso, na rede particular, qualquer pessoa a partir dos seis meses de idade pode se vacinar. Já no SUS, neste momento, apenas o público-alvo definido pela campanha de imunização está apto a receber a dose.
Público-alvo da vacinação (SUS):
– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
– Idosos a partir de 60 anos
– Trabalhadores da saúde
– Gestantes e puérperas
– Professores
– Povos indígenas
– Pessoas em situação de rua
– Profissionais das forças de segurança, salvamento e Forças Armadas
– Portadores de doenças crônicas
– Pessoas com deficiência permanente
– Caminhoneiros, trabalhadores dos Correios e profissionais do transporte coletivo
Por Suelen Morales
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