Em depoimento durante o julgamento de João Augusto, acusado de matar a ex-companheira Vanessa Eugênia, e a filha Sophie Eugênia, de apenas 10 meses, o ex-colega de trabalho Welison Matheus afirmou que João planejava cometer o crime.
Aos colegas de trabalho, João chegou a relatar diversas vezes que estava descontente com o casamento e dizia que queria “passar a mulher”.
Os dois trabalhavam juntos, em uma distribuidora de bebidas no bairro Cophavilla, na Capital.
O depoimento de Welison foi prestado sem a presença do réu na sala, a pedido da própria testemunha. Questionado pela promotoria, ele afirmou que João teria confessado o crime.
“Dias antes, ele chegou em mim primeiro. Eu tava trabalhando, ele chegou em mim e perguntou quem que fazia o corre”, relatou.
Segundo a testemunha, no dia do crime, João retornou atrasado do horário de almoço e disse que o plano havia sido executado. “Passou o horário do almoço dele, ele chegou atrasado e falando que tava feito, tava todo machucado, vermelho”, declarou.
Welison afirmou que João pediu para ir a um posto de saúde fazer curativo, mas não retornou ao trabalho. Depois, passou a ligar e mandar mensagens. “Na ligação eu não atendi, mas por mensagem ele falou que o corpo tava no carro, que já tava começando a feder, perguntando onde que eu tava pra ajudar ele”, disse.
Conforme ainda a testemunha, João queria ajuda para ocultar os corpos. “Ele queria que eu ajudasse a queimar o corpo, em troca eu ficaria com o carro dele. Mas não ajudei”. acrescentou.
De acordo com Welison, não era segredo para os colegas de trabalho que João planejava a morte da companheira. “Ele sempre falava pra todo mundo, mas ninguém acreditava que ele fosse capaz de realmente matar elas, por isso ninguém nem chamou a policia”, disse. Segundo ele, o motivo alegado por João era que Vanessa não o deixava fazer o que queria. “Ele falava que a mulher não deixava fazer nada, jogar videogame, jogar bola. Ele falava que pegou raiva”.
Ao ser perguntado especificamente sobre Sophie, Welison disse que João também mencionava a criança. “Ele falou que ia passar a mulher dele, e perguntei da filha, ele falou que ‘vai junto’”, relatou. A testemunha disse ainda que chegou a se oferecer para ficar com a bebê, mas que não levou a ameaça a sério. “Eu até me ofereci pra ficar com a criança, mas não acreditava”, afirmou.
“No outro dia ele sumiu e eu só vi a notícia”, finalizou.
A sessão está sendo realizada na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.