Caminhoneiros se dividem sobre a paralisação em MS

CAMINHÕES GREVE
Valentin Manieri

Profissionais do setor afirmaram que adesão ao ato deve ser baixa no Estado

Com previsão de paralisação dos caminhoneiros em todo o país, no dia 1º de novembro, profissionais da categoria em Mato Grosso do Sul estão divididos quanto à realização e adesão de participantes no manifesto. Entidades de representação nacional confirmaram nesta semana a greve desses trabalhadores como forma de resposta ao forte aumento nos preços do diesel e reivindicações de outras pautas. 

No Estado, muitos apontam que a manifestação não deve ocorrer. A explicação estaria relacionada com o pequeno número de simpatizantes à ideia, como afirma o presidente do Sindicam-MS (Sindicato dos Caminhoneiros em Mato Grosso do Sul), Osni Bellinati, que também é contra a iniciativa.

“Aqui no Estado não vai ter nada. E a gente vai combater de cabo a rabo. São pessoas que não estão interessadas no bem comum da população. Pessoas que acham que, quanto pior, melhor. Isso é apenas 1% da categoria que compactua com uma ideia louca dessa. Sempre tem aqueles ‘cabeça de alface’, que não têm nada no cérebro”, se manifestou.

O chefe do sindicato explica que o ato é inviável, pois existem diversos outros problemas além da alta do combustível, segundo ele. “Não é só o óleo diesel que aumentou, o pneu e a lona também. Aí, os caras querem fazer greve de três ou cinco dias, mas acabam afetando o abastecimento, como falta de gasolina, óleo diesel, arroz, feijão, prejudicam a produção e até podem ocorrer demissões”, disse.

De acordo com Edson Sanches, motorista freteiro de pedra, a proposta de paralisação tem outros interesses que o de reivindicar melhorias para o setor. “Isso é uma estratégia política. Estão colocando uma grande pressão, mas acho que não vai haver nada. Alguns motoristas não acreditam, outros dizem que vai ter. Eu já participei antes, mas percebi que somos usados como escudo. São grandes empresas que usam a gente como manobra”, revelou.

Sanches acrescenta ainda que uma greve neste momento pode piorar o cenário atual, e critica a gestão do presidente Bolsonaro. “Nós, que somos pequenos na categoria, estamos numa situação em que não podemos parar de trabalhar. Está ruim, mas se parar piora. O governo tem culpa, porque o Bolsonaro fez promessas de melhorias quando ganhou a eleição, mas até agora nada. Ficou só na conversa.”

No mês passado, a Petrobras anunciou o aumento do litro do diesel em R$ 0,22 nas bombas. Com o reajuste, o valor do combustível passou de R$ 5,00 nos postos de gasolina. A alteração do preço médio para as distribuidoras representou ainda um aumento de 9%, o que impactou em diversas atividades, como até mesmo os serviços de frete.

Paralisação nacional 

Além de pedirem novas medidas da Petrobras para que haja redução no valor do diesel, os caminhoneiros devem manifestar-se com pautas relacionadas a valor mínimo do frete rodoviário e até aposentadoria especial para a categoria aos 25 anos de trabalho. Segundo lideranças à frente do ato, o Governo Bolsonaro tem até 15 dias para decidir condições melhores para a categoria. (Felipe Ribeiro)

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