Peixes como o pintado e o cação-cola-fina estão entre as inclusões defendidas pela delegação brasileira durante a conferência na Capital
O Brasil entrou nas negociações da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres com protagonismo ampliado. Além de sediar o encontro em Campo Grande e assumir a presidência do colegiado no próximo triênio, o país lidera ou colidera sete propostas de inclusão de espécies nas listas de proteção da Convenção.
As propostas brasileiras concentram-se principalmente em peixes e aves migratórias. Entre os destaques estão o pintado, espécie emblemática das bacias hidrográficas sul-americanas, o cação-cola-fina e o cação-anjo-espinhoso, além de aves como o maçarico-de-bico-torto, o maçarico-de-bico-virado e o caboclinho-do-pantanal. As inclusões podem reforçar medidas de cooperação internacional para conservação, pesquisa e manejo dessas populações ao longo de suas rotas migratórias.
A pauta da conferência inclui ainda a análise de 42 propostas de inclusão de novas espécies nos Anexos I e II da Convenção. O Anexo I reúne espécies ameaçadas de extinção, que demandam proteção mais rigorosa, enquanto o Anexo II contempla aquelas que necessitam de acordos internacionais para garantir sua conservação.
Durante os debates, representantes brasileiros defenderam a ampliação das parcerias entre países e o fortalecimento da implementação das decisões já adotadas pela Convenção. À frente da presidência da COP no próximo triênio, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a prioridade será transformar compromissos em ações concretas, com foco em cooperação técnica, financiamento e integração de políticas públicas.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou durante a abertura da conferência o compromisso brasileiro com a agenda ambiental global e com o multilateralismo. Segundo ela, a ampliação da lista de espécies protegidas fortalece a atuação conjunta entre nações e amplia a capacidade de resposta diante do agravamento do cenário global.
Relatórios apresentados ao longo da conferência apontam que 24% das espécies listadas na Convenção estão ameaçadas de extinção, enquanto quase metade apresenta tendência de queda populacional. Os dados reforçam a urgência de medidas coordenadas para enfrentar pressões como perda de habitat, caça ilegal, poluição e impactos das mudanças climáticas.
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