STF retoma julgamento que pode definir futuro dos jogos de azar no Brasil

Foto: divulgação/Antonio Augusto/STF
Foto: divulgação/Antonio Augusto/STF

O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta quinta-feira (6) o julgamento que vai decidir se a exploração de jogos de azar, como bingo, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, deve continuar sendo tratada como contravenção penal no Brasil. A análise foi interrompida na quarta-feira (5), após o início do voto do relator do processo, ministro Luiz Fux, e pode estabelecer um novo entendimento sobre a legalidade dessas atividades.

O caso chegou ao STF por meio de um recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra a absolvição de um comerciante acusado de explorar máquinas caça-níqueis em um bar. Na decisão questionada, a Justiça entendeu que a proibição da atividade seria incompatível com os direitos e garantias previstos na Constituição Federal de 1988, argumento que agora será analisado pelos ministros da Corte.

Durante a sessão de quarta-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a manutenção da legislação atual. Segundo ele, cabe ao Congresso Nacional decidir sobre uma eventual descriminalização dos jogos de azar, e não ao Judiciário. Gonet também argumentou que a existência de modalidades de apostas autorizadas pelo Estado não elimina a necessidade de combater atividades clandestinas, destacando os impactos sociais provocados pela exploração irregular desses jogos.

Ao iniciar seu voto, Luiz Fux indicou que deve se posicionar pela manutenção da criminalização da exploração comercial dos jogos de azar. O ministro fez questão de diferenciar a discussão da prática de apostar, ressaltando que o julgamento trata exclusivamente da atividade de quem explora economicamente estabelecimentos com máquinas caça-níqueis e outros jogos proibidos pela legislação brasileira.

Fux também chamou atenção para o crescimento das apostas eletrônicas e afirmou que o Supremo deverá enfrentar esse debate de forma mais ampla. Segundo o ministro, será necessária uma análise interdisciplinar sobre o avanço das plataformas de apostas, conhecidas como “bets”, e seus efeitos sobre os consumidores. O julgamento será retomado nesta quinta-feira, quando os ministros darão continuidade à análise do recurso que poderá influenciar a interpretação da legislação sobre jogos de azar em todo o país.

 

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