Sete anos após conquista, Juventude inicia nova caminhada terça-feira
O Juventude entra em quadra terça-feira (15) para sua estreia na Taça Brasil – Primeira Divisão (a “Segundona” da competição), em Vitória (ES). O time treinado por Sérgio Benatti enfrenta o Furacão Pedro Afonso-TO, às 14h30 (de MS), no Centro Tancredo Neves, sete anos depois de protagonizar um dos capítulos mais importantes de sua história: o título de 2019 conquistado em casa.
Naquela edição, venceu o Sorriso-MT por 3 a 2 na decisão e se tornou campeão do torneio pela primeira e única vez. O triunfo também garantiu ao clube uma vaga na Divisão Especial em 2020, quando o time chegou às semifinais, em Tubarão (SC).
A final começou com o Sorriso na frente, com gol de Adão. O Juventude, porém, reagiu ainda no primeiro tempo. O pivô Afeiffe empatou, e o ala Rikelme marcou duas vezes para colocar a equipe douradense em vantagem. Na etapa final, Wilson diminuiu para os mato-grossenses, mas o Juventude segurou o resultado até o apito final.
“Realmente foi um momento muito feliz e grandioso, voltar a representar meu estado depois de estar uns anos em São Paulo nas categorias de base e voltar a jogar uma competição tão bonita como a Taça Brasil e profissionalmente”, lembra Rikelme para O Estado.
Com 18 anos na época (hoje, tem 24), atualmente joga no O’Parrulo Ferrol, da Espanha. Na ocasião, teve a oportunidade de dividir a quadra com atletas que eram com suas referências para ele e até com o irmão, o ala Lineker.
Os dois gols marcados na decisão tiveram peso especial. Segundo Rikelme, a confiança recebida no Juventude foi fundamental para que pudesse atuar com liberdade, mesmo sendo um dos mais jovens do elenco. “Foram uns dos meus primeiros gols como profissional, são muito especiais”, afirma.
Afeiffe viveu a final de maneira diferente. Já veterano na época com 34 anos, ele conta que vinha se afastando das quadras por causa do trabalho e da família quando recebeu o convite do técnico Edson dos Anjos. Mesmo tendo participado da competição praticamente de última hora, como ele mesmo disse, voltou aos treinamentos e foi decisivo.
“Fiquei surpreso em estar escalado para aquele campeonato. O Thiago [Altamore, presidente do clube] me convidou. Aí eu pude entrar na final e ajudar com o gol”, recorda o ex-atleta, que hoje, aos 40 anos, treina as categorias de base no projeto Futsal 067 em Dourados.
O lance do empate foi resultado de uma jogada ensaiada. Depois de o treinador pedir que o time diminuísse o ritmo para esfriar a partida, uma falta foi cobrada buscando o segundo pau. Samuka finalizou, e Afeiffe apareceu para completar de carrinho. “Foi tudo calculado. A gente tinha uma jogada ensaiada ali e deu certo”, conta.
Para ele, aquele gol e o título representaram processo de transformação, de um perfil semiamador para buscar uma estrutura profissional. “Ali foi uma mudança de chave: um título em Dourados e um título de relevância, nacional. Isso a gente estava precisando muito”, afirma. Atualmente, o Juventude segue fora da Divisão Especial, a principal da modalidade no país.
A campanha funcionou como vitrine para aquela geração. Rikelme e outros atletas seguiram carreira em grandes clubes e chegaram ao futsal europeu. A conquista continua sendo lembrada como um ponto de virada para o Juventude e para o futsal douradense.
“Nossa humildade e a vontade de ganhar esse torneio em casa, a união daquele grupo nos bons e maus momentos, a qualidade de cada jogador e a confiança que o staff e a diretoria depositavam na gente”, fala Rikelme.
Para Afeiffe, os atletas do atual Juventude, “por mais que eles estejam entrando em novos desafios, e mais um desafio grande, que é a Taça Brasil, estão muito bem preparados”. Ele ainda frequenta os jogos disputados no interior de Mato Grosso do Sul.
Time ajusta rotina antes da estreia
O Juventude encerrou nesta semana os preparativos para a Taça Brasil. Após amistoso previsto para sábado em Fátima do Sul – a 42 km de Dourados – contra um time local, a delegação viaja para Vitória neste domingo. Os últimos treinamentos aconteceram em horários próximos aos das partidas.
Para o técnico Sérgio Benatti, 60 anos, a adaptação é necessária porque a competição impõe uma rotina diferente.“A parte fisiológica muda toda. Vamos ter que almoçar depois do jogo em algum lugar. Ir tomar banho e então, lá por umas três e meia ou quatro horas da tarde, vamos almoçar”, explica o treinador, ao admitir às vésperas da competição a indefinição do clube sobre o lugar para realizar as refeições na capital capixaba.
Benatti demonstra preocupação com a longa paralisação desde a última partida em caráter de competição, a vitória por 4 a 0 sobre o São Lourenço-SC, em 4 de agosto, pela Copa LNF. “A única coisa que eu sinto preocupação agora foi a paralisação grande que a gente não teve competição. Infelizmente você não pode jogar seis jogos seguidos [se o time chegar à final]. Isso aí, fisiologicamente, é impossível para o corpo humano”, afirma o técnico.
O elenco terá Olavo Netto como novidade no gol, enquanto Jackson deixou o clube para atuar em Portugal. O ala Mauá segue em tratamento de lesão e viaja com a delegação. Já o fixo Ryan cumpre suspensão nos quatro jogos da primeira fase.
A equipe de Dourados está no Grupo B, ao lado de Vasco da Gama, América-RN, CTAC Futsal-ES e Furacão Pedro Afonso-TO. Se avançar, disputa a semifinal no sábado (19). A final da competição acontece no domingo (20).
Ricardo Prado
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