Redução de público em comparação ao Estadual chega a 68%
A vitória do Operário por 2 a 0 sobre o Crac-GO, domingo (31), manteve viva a esperança de classificação do Galo para a segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro. Já o Ivinhema desperdiçou a oportunidade de garantir antecipadamente a vaga ao empatar em 1 a 1 com o Uberlândia-MG, adiando a definição para a última rodada. Apesar dos cenários distintos dentro de campo, os representantes do Estado compartilham uma realidade semelhante nas arquibancadas: a redução do público em relação ao Sul-Mato-Grossense.
O caso mais expressivo é o do Operário. Campeão local, o clube registrou média de 1.366 torcedores por partida em casa no torneio estadual. Na competição nacional, a média caiu para apenas 438 pessoas por jogo, uma redução de 67,9%.
A diferença chama atenção principalmente porque o Estadual terminou com crescimento significativo de público. Na decisão contra o Bataguassu, por exemplo, o Galo levou 3.179 pessoas ao Jacques da Luz, maior marca da temporada. Na Série D, porém, o melhor público foi de 564 torcedores na estreia diante do Betim-MG, em 5 de abril.
A sequência de partidas como mandante também evidencia a dificuldade de mobilização. Após públicos de 564 e 524 torcedores nas duas primeiras rodadas em casa, o Operário registrou apenas 168 pessoas na derrota para o Uberlândia, em 9 de maio, antes de recuperar parcialmente a presença de torcedores no confronto contra o Ivinhema, no dia 16 de maio, com 494 espectadores.
Campanha irregular ‘pesa’
Para o presidente do clube, Nelson Antônio Silva, a principal explicação está no desempenho esportivo da equipe após o título estadual. “O torcedor é muito movido por resultados. Eu acho que, se o clube tivesse continuado com os resultados obtidos no Campeonato Estadual e na Série D, com certeza nós teríamos um público bem maior”, afirmou a O Estado.
O dirigente avalia que a campanha irregular no Brasileiro afastou parte da torcida que havia se aproximado durante a conquista estadual. “Eu só vejo essa relação da questão do resultado esportivo na Série D com relação ao resultado esportivo no Estadual, do qual nós somos campeões. Acredito que o fator principal seja esse”, completou.
Com nove pontos e na quinta colocação do Grupo A11, o Operário precisa obrigatoriamente vencer o Betim, dia 14, fora de casa, pela última rodada da Série D, para chegar aos 12 pontos e manter chances de classificação. Além disso, depende de tropeço da Abecat-GO contra o já classificado Uberlândia e de um resultado favorável do Ivinhema no duelo com o Crac, além de precisar melhorar seu saldo de gols, atualmente inferior ao dos concorrentes diretos. Pelas combinações possíveis e pela necessidade de resultados paralelos, a chance de avanço do Galo é estimada em cerca de 25%.
Moreninhas é longe, diz dirigente
Além dos resultados, o presidente aponta outro fator que influencia a presença de público: a localização do Estádio Jacques da Luz, nas Moreninhas. “Outra questão que dificulta o público frequentar mais o estádio, no caso das Moreninhas, é a localização. É muito distante, o pessoal acha que é um lugar longe demais, de difícil acesso”, disse.
Mesmo com a vitória sobre o Crac mantendo o sonho da classificação vivo, os números mostram que o interesse do torcedor ainda não acompanhou a reação da equipe. Comparando a estreia como mandante na Série D com o jogo mais recente com boletim financeiro disponível, houve redução de 12,4% no público.
Filme repetido no Interior
No Ivinhema, a queda foi menos acentuada, mas também ocorreu. A média de público no Campeonato Estadual foi de 352 torcedores por partida. Na Série D, caiu para 308, uma redução de 12,5%.
Embora o Azulão tenha mantido números historicamente mais modestos do que o Operário, a equipe também viu o interesse diminuir ao longo da competição. Após iniciar a Série D com 285 torcedores no Saraivão diante do Crac, em 5 de abril, o clube registrou crescimento nas duas rodadas seguintes, chegando a 450 espectadores no confronto contra o próprio Operário, em 26 de abril. Entretanto, no empate sem gols diante da Abecat, em 10 de maio, o público caiu para 144 pessoas, menor marca da temporada. Na comparação entre a primeira e a última partida como mandante no Brasileiro, a queda foi de 49,5%.
A situação chama atenção porque, esportivamente, o Ivinhema vive campanha mais consistente que a do rival estadual. Com 12 pontos, o clube ocupa a quarta colocação do Grupo A11 e depende apenas de um empate diante do Crac em Goiás, na rodada final, dia 14, para assegurar a classificação. Mesmo assim, não conseguiu converter a boa campanha em crescimento sustentado de público.
Até o fechamento desta edição, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ainda não havia divulgado os boletins financeiros das partidas de Operário e Ivinhema realizadas anteontem, o que impediu a atualização dos dados de público e renda das equipes. Procurados pela reportagem para comentar os números, representantes do Ivinhema não se manifestaram.
Enquanto a disputa pelas vagas segue aberta dentro de campo, os dados mostram que um desafio paralelo acompanha os dois clubes sul-mato-grossenses: reconquistar o torcedor e transformar o interesse esportivo em presença efetiva nas arquibancadas. Afinal, mesmo em uma fase decisiva da Série D, a competição nacional ainda não conseguiu reproduzir o engajamento observado durante o Campeonato Estadual.
Por Ricardo Prado
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