Do Paranazão a Tóquio: Fernando Rufino e Debora Benevides representam MS na canoagem

MS na canoagem
Foto: Ale Cabral/CPB

Na canoagem, Fernando Rufino inicia busca pelo pódio, e no feminino, Debora Benevides disputa sua segunda paralimpíada

A canoagem em Tóquio abre seus trabalhos nesta quarta-feira (1º), e dois sul- mato-grossenses buscam vagas para as semifinais nas provas a serem realizadas no canal de Sea Forest Waterway, a 15 km da capital japonesa.

Fernando Rufino, o “Cowboy de Aço”, disputa sua primeira Paralimpíada. O atleta nascido em Itaquiraí – a 405 km de Campo Grande – ficou de fora da Rio 2016, após exames detectarem um problema cardíaco.

Mais um obstáculo domado entre tantos outros para quem desejava ser cowboy de rodeio, mas teve de se reinventar após ser atropelado por um ônibus e perder parcialmente o movimento das pernas. Dali em diante, ingressou na canoagem.

O brasileiro chega como um dos favoritos ao pódio. Antes do desembarque no Japão, Rufino falou com à reportagem do jornal O Estado. Suas provas serão nas categorias KL2 e VL2 200m.

“Estou indo para Tóquio em plena forma física, acredito sim, em pódio. Estou indo confiante. A meta é essa. Treinei para pódio. A gente vai para trazer medalha, sim”, disse o “peão”, em entrevista feita no último dia 11.

“Estar em uma paralimpíada, com certeza é a realização de um sonho. Disputar o maior evento esportivo do planeta, estar entre os melhores do mundo disputando uma medalha a olímpica”, acrescenta o paracanoísta de 36 anos.

A favor dos brasileiros como ele está o fato de já conhecer o palco das remadas de Tóquio 2020. Há dois anos, cinco atletas, entre eles Rufino e Debora Raiza Benevides, disputaram um evento-teste em Sea Forest Waterway. “As condições da raia não são muito similares ao que temos no Brasil, ela é mais leve pois é água salgada do mar. Será importante para os atletas sentirem um pouco o local”, falou na ocasião o diretor- -geral da CBC a (Confederação Brasileira de Canoagem) e supervisor da Paracanoagem, Leonardo Maiola.

Questionado se o adiamento em um ano dos Jogos ajudou ou atrapalhou, Rufino disse que foi muito ruim para a carreira. “Eu estava preparado para ser em 2020. Fiquei muito triste com amigos que perdi durante esse tempo. Não cheguei a perder ninguém da família, mas (perdi) amigos que considerava, que eu amava”, relembra. “Não gostei do adiamento, não queria que tivesse a pandemia, isso era o certo”, acrescenta.

Mesmo no período mais crítico da pandemia até agora, um dos destaques da canoagem paralímpica nacional buscou se manter em forma. “Em Itaquiraí, remava lá, onde eu moro, da onde eu sou, remando no Rio ‘Paranazão’ Depois eu vim para o Centro de Treinamento, na Ilha Comprida, em São Paulo”, falou o “peão”.

 

Visibilidade e apoio

Para Rufino, a vitrina aos paratletas em Tóquio será mais chamativa do que a obtida na Rio 2016. “Vai ter uma visibilidade muito maior, por causa de que, hoje, as redes sociais nos favorecem muito. O paradesporto está ganhando cada vez mais espaço, mais representatividade diante das conquistas dos atletas, ganhando seu espaço na mídia, reconhecimento com as pessoas”, observou o brasileiro à reportagem. “A gente está cada vez mais motivado para levar o esporte a todas as pessoas”, completou.

O sul-mato-grossense aproveitou para citar o apoio dado a ele pela Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul). Segundo ele, a fundação ajuda na aquisição de material esportivo, como embarcações, e remo, além de uma bolsa estadual, de aproximadamente R$ 1.200.

 

MS na canoagem

 

“Só de estar lá é uma honra”, fala a campo-grandense

Diferente de Rufino, a campo-grandense Debora Raiza Benevides foi econômica em suas expectativas para Tóquio 2020. “Acredito que só de estar lá, nas Olimpíadas, é muito importante, competir com as melhores do mundo é uma grande honra para mim”, respondeu à reportagem, no último dia 12.

Sem entrar em detalhes e, diferente de Rufino, a paratleta de 26 anos disse que o adiamento dos Jogos a ajudou bastante. “No período mais crítico da pandemia, fui focando, procurando me adaptar, e fui recuperando o tempo perdido”, acrescentou a campo-grandense, que vai para a sua segunda participação paralímpica. A brasileira mora e treina em São Bernardo do Campo-SP.

Segundo a brasileira, a visibilidade a ser proporcionada nos Jogos Paralímpicos do Japão será do mesmo tamanho do megaevento realizado no Brasil. “Acredito que será igual à Rio 2016”, afirmou a paratleta, que competirá na categoria VL2.

A atleta tem má- -formação nos membros inferiores, que causa atrofia nas pernas. Ela iniciou no atletismo aos 15 anos, porém, alguns anos depois, viu que seu futuro era na água, com a canoagem.

 

Sete brasileiros no total

Na canoagem, o país terá mais cinco representantes: Adriana Gomes de Azevedo (KL1), Caio Ribeiro de Carvalho (KL3 e VL3), Giovane Vieira de Paula (KL3 e VL3), Luis Carlos Cardoso da Silva (KL1 e VL2) e Mari Christina Santilli (KL3).

Nos Jogos de 2016, o carioca Caio Ribeiro de Carvalho conquistou o bronze para o Brasil.

(Texto de Luciano Shakihama)

 

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