Campo Grande 127: trilhas conquistam atletas e impulsionam ecoturismo

Fotos: arquivo pessoal
Fotos: arquivo pessoal

Percursos próximos à área urbana atraem praticantes na Capital

Dentro de Campo Grande, a poucos quilômetros da área urbana, trilhas em meio à vegetação nativa têm conquistado cada vez mais adeptos da corrida de montanha, das caminhadas e do ecoturismo. O que começou como alternativa para fugir da rotina de treinos no asfalto tornou-se um estilo de vida. Muitos atletas encontraram no contato com a natureza a combinação de desafio físico, bem-estar e contemplação.

Entre os pontos mais conhecidos da região estão o Morro do Ernesto, o Inferninho, o Vale Perdido, a Trilha do Agrião e o Parque Estadual Matas do Segredo. Locais que recebem desde iniciantes até corredores experientes em busca de percursos com diferentes níveis de dificuldade.

Empresário e praticante de trilhas há pelo menos uma década, Ederson Santana Rodrigues conta que o interesse pela modalidade surgiu de forma despretensiosa, durante um passeio. Acostumado às corridas de rua, ele descobriu nas trilhas uma experiência completamente diferente. “A trilha não é igual correr no asfalto. É o ar livre, os pássaros, os animais. Você realmente se desconecta do dia a dia, da cidade, do trânsito, do barulho. É uma coisa que parece restaurar e renovar a alma”, relata ao O Estado.

Segundo ele, além do contato com a natureza, a modalidade exige preparação específica. Diferentemente das provas urbanas, os percursos apresentam subidas, descidas e terrenos irregulares, o que demanda fortalecimento muscular, resistência e técnica.

Atualmente, Ederson frequenta principalmente o Morro do Ernesto, por causa da altimetria, e alterna as atividades com percursos em estradas de terra na região da MS-040. Para ele, Campo Grande possui opções interessantes, mas pouco conhecidas pela população. “Dá para melhorar muito em relação a lugares seguros. É importante que haja estrutura, segurança e que tudo seja regularizado”, afirma.

Da 1ª experiência à prioridade

Administrador e praticante de trilhas há oito anos, Oderney Garcia Coffacci conheceu a modalidade ao lado da esposa depois de iniciar uma rotina de caminhadas em busca de qualidade de vida. A evolução para as corridas de rua abriu caminho para as primeiras experiências nas trilhas, até que a modalidade se tornou prioridade no calendário esportivo do casal.

Hoje, participa regularmente de competições de trail run e destaca que o ambiente natural proporciona uma experiência diferente da corrida tradicional. “Quem pratica no asfalto e experimenta a trilha, em meio à floresta, com morros e travessias, se encanta. Você fica dentro da floresta e parece que tudo é mágico”, descreve.

Na avaliação de Oderney, o Morro do Ernesto segue como a principal referência aos praticantes da Capital, ao lado do Vale Perdido, do Inferninho e da Trilha do Agrião. Acredita que Campo Grande pode ampliar a oferta de áreas destinadas à prática esportiva e ao ecoturismo.

“Se houvesse um investimento maior nesse aspecto, a corrida de trilha agregaria ainda mais valor. É um segmento esportivo que pode crescer mais na cidade. Também é uma ferramenta de fomento ao turismo de aventura”, argumenta.

Além do incentivo ao esporte, os praticantes destacam que a valorização das áreas naturais pode fortalecer a identidade de Campo Grande como uma capital cercada pela natureza. Para eles, investir em infraestrutura, segurança e preservação ambiental representa uma oportunidade de ampliar o turismo de experiência e oferecer novos espaços de lazer para moradores e visitantes.

Por Ricardo Prado

 

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