Mais de 300 mil estudantes retomam as aulas e especialistas orientam famílias para readaptação

volta as aulas

Mais de 300 mil estudantes retomam gradualmente as atividades escolares em Campo Grande e Mato Grosso do Sul após o recesso de julho. Na Capital, os cerca de 112 mil alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino) voltam às salas de aula nesta segunda-feira (3). Já na REE (Rede Estadual de Ensino), aproximadamente 190 mil estudantes retornam apenas no dia 10 de agosto, após uma semana dedicada à formação de professores e ao planejamento pedagógico.

Antes da volta dos alunos, a SED (Secretaria de Estado de Educação) promove, entre os dias 3 e 6 de agosto, a Jornada Formativa do 3º bimestre. Com o tema “Do diagnóstico à ação: replanejamento pedagógico para o fortalecimento das aprendizagens”, a iniciativa reúne professores, coordenadores e gestores para avaliar os resultados do primeiro semestre e reorganizar as estratégias de ensino para a segunda etapa do ano letivo.

Se para os professores a semana é de preparação, para muitas famílias o desafio já começou. Após cerca de duas semanas de férias, especialistas alertam que a retomada da rotina escolar deve ser gradual para reduzir impactos físicos e emocionais nas crianças e adolescentes.

A pediatra Isabela Pires, da Afya Brasília, recomenda que a reorganização da rotina tenha início alguns dias antes do retorno às aulas.

“É muito importante que a criança tenha uma rotina equilibrada. Ajustar gradualmente os horários de sono e alimentação favorece a adaptação e impacta diretamente o humor, a atenção e o aprendizado”, explica.

Segundo a médica, dormir e acordar em horários regulares ajuda o organismo a se readaptar ao ritmo escolar, reduzindo o cansaço, a irritabilidade e as dificuldades de concentração nos primeiros dias de aula.

A alimentação também merece atenção. A especialista orienta que os cuidados com refeições equilibradas se estendam à lancheira escolar, priorizando alimentos nutritivos que favoreçam o desenvolvimento cerebral e o desempenho na aprendizagem.

Excesso de telas pode dificultar adaptação

Outro hábito comum durante as férias que merece atenção é o aumento do tempo em frente às telas. Celulares, tablets, videogames e televisão, quando utilizados de forma excessiva, podem prejudicar principalmente a qualidade do sono e a capacidade de concentração.

A professora de Neuropediatria da Afya Itaperuna, Mariana Leite, explica que o cérebro infantil responde melhor quando existe previsibilidade na rotina.

“Mudanças bruscas podem impactar áreas relacionadas à atenção, memória e controle emocional. Quando a criança tem horários organizados e estímulos adequados, o cérebro responde com mais facilidade às demandas escolares”, afirma.

Acolhimento faz diferença

Além da adaptação física, especialistas destacam que o retorno às aulas também exige atenção ao aspecto emocional. Para algumas crianças, a volta representa reencontro com amigos e professores. Para outras, o momento pode despertar ansiedade, medo ou insegurança.

A psicóloga Mariana Ramos, docente da Afya Centro Universitário Itaperuna, orienta que pais e responsáveis acolham esses sentimentos.

“Frases como ‘eu entendo que você esteja nervoso’ fazem muita diferença. O diálogo aberto e a postura tranquila dos adultos reduzem inseguranças e ajudam a criança a se sentir protegida”, afirma.

Segundo ela, conversar sobre a escola de forma positiva, explicar como será a rotina e criar pequenos rituais de despedida e de acolhimento ajudam a tornar a transição mais tranquila.
Outra recomendação é envolver a criança na preparação para o retorno, permitindo que participe da organização da mochila e da escolha dos materiais, estimulando autonomia e senso de responsabilidade.

Por Michelly Perez

 

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