As estimativas de movimento ficaram entre 70% e 80% das vendas habituais
O movimento de um feriado não costuma superar o de um dia comum de vendas, mas ainda assim pode valer a pena abrir as portas quando há um evento capaz de levar mais pessoas ao Centro. Foi com essa conta que Tiago Souza, proprietário de uma chiparia na região central de Campo Grande, trabalhou no 7 de Setembro. A expectativa era que as vendas chegassem a 70% de um dia normal.
“Venda comum é melhor”, disse Tiago, ao comparar o movimento do feriado com o de uma segunda-feira sem evento. Mesmo assim, ele decidiu abrir porque o desfile cívico-militar concentraria público na região. Segundo o comerciante, o movimento costumava aumentar principalmente no fim da manhã, quando as pessoas começavam a deixar o local do desfile,e começam a passear pela lojas e área central.
Tiago mantém o estabelecimento há cinco anos e aproveitou a data para preparar produtos que costumam ter maior procura. A chipa tradicional era a principal aposta, além das opções recheadas.
A expectativa de faturamento abaixo da registrada em um dia comum não foi exclusiva da chiparia. Outros comerciantes que abriram no Centro também fizeram a conta de que o fluxo gerado pelo desfile poderia compensar parte da redução natural do movimento em um feriado.
Estoque maior para o feriado
Mariglesi Santos também decidiu abrir o estabelecimento por causa do desfile. Segundo ela, a loja não costuma funcionar em outros feriados e abre especificamente em datas que levam eventos para a região.
“A gente só abre os desfiles mesmo, de 26 de agosto e o de hoje [7 de Setembro], por conta dos desfiles aqui na frente”, contou.
Para o 7 de Setembro, o estoque foi reforçado. Os salgados estavam entre os produtos com maior procura, e a expectativa era de que o estabelecimento recebesse entre 100 pessoas a mais por causa do movimento do desfile.
A comerciante comparou a data com o desfile de 26 de agosto, aniversário de Campo Grande. Segundo ela, o movimento daquele evento havia sido melhor no ano anterior. Neste ano, porém, a expectativa era de que o 7 de Setembro tivesse resultado melhor que o desfile de agosto.

“Se eu ficar em casa, eu vou gastar”
Para John Kennedy, que trabalha no Centro há 16 anos, a decisão de abrir no feriado teve também um motivo pessoal. O estabelecimento funcionou até as 18h, e a expectativa era chegar a 80% das vendas de um dia comum.
“Todo o feriado a gente abre. Trabalha. Porque eu moro aqui no Centro. Se eu ficar em casa, eu vou gastar. Se eu vir para cá, eu vou ver meus amigos”, brincou.
Kennedy afirmou que o 7 de Setembro costuma estar entre os melhores feriados para o estabelecimento, embora o resultado varie conforme a data. Na avaliação dele, o movimento provocado pelo desfile ajudava a trazer os clientes que já costumam frequentar a região.
A expectativa também era de um resultado melhor do que o registrado no desfile de 26 de agosto do ano passado.
Feriado com comércio aberto
O funcionamento do comércio de rua no feriado era facultativo em Campo Grande, conforme as regras da Convenção Coletiva de Trabalho. Para os estabelecimentos que optaram por abrir, a jornada e as condições para os trabalhadores seguiram as regras previstas para a data.
No caso de Tiago, a conta estava feita antes mesmo de abrir a loja: vender menos que em uma segunda-feira normal ainda poderia ser melhor do que perder a oportunidade de atender quem foi ao desfile.
Na avaliação do sindicato que representa os lojistas de Campo Grande, a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), a data representa para o comércio uma oportunidade de faturamento.
“E é uma grande oportunidade para o varejista, só de imaginar que vai ter um monte de gente circulando por conta do desfile de 7 de setembro. Pode ser uma oportunidade de vender muito mais na sua lanchonete, no seu bar, no seu restaurante. Todos os anos nós estamos vendo chegar caravanas do interior para aproveitar o feriadão e curtir Campo Grande, até porque Campo Grande também é um destino de compras. É a oportunidade de faturar muito mais”, afirma o presidente da entidade, Adelaido Figueiredo.
Por Djeneffer Cordoba
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