Mesmo com a crescimento das compras online, comerciantes locais utilizam o as redes socias como ponte para o balcão
Em tempos de vitrines digitais, inteligência artificial e compras a um clique, há algo que a tecnologia ainda não substituiu: a conversa, o olhar e a confiança construídos frente a frente. No varejo de Mato Grosso do Sul, esse contato continua sendo parte essencial da experiência de compra. Para Isabel Hassan, gerente de uma loja de maquiagens na rua 14 de julho, em Campo Grande, é justamente o atendimento humanizado que transforma uma venda em relacionamento e faz o cliente voltar.
“A gente sempre acreditou muito no atendimento consultivo. Muitos problemas que as pessoas enfrentam com as compras online é o produto não ser verdadeiro, comprar uma base no tom errado ou um perfume que não tem o cheiro imaginado”, explica.
Segundo a lojista, a decepção com compras impessoais na internet acaba reconduzindo o consumidor ao espaço físico. “É muito fácil comprar online, só que também é muito decepcionante. As pessoas gostam muito ainda de vir e ver as coisas”, detalha Isabel, apontando que o público infantil e clientes acima de 30 anos são os que mais valorizam essa dinâmica.
Na Tom make, as clientes iniciam o contato pelas redes sociais ou tiram dúvidas no WhatsApp, mas a maioria faz questão de finalizar a compra pessoalmente. “Por incrível que pareça, saem mais vendas físicas. As pessoas entram em contato pelo WhatsApp e depois vêm até a loja para adicionar mais alguma coisa ou tirar dúvidas. As Vendas online geralmente são clientes que já conhecem e vieram até a loja”, revela a gerente.
Além disso, as redes sociais ajudam a integrar as clientes à rotina da marca, transformando clientes em uma comunidade de “Tom Lovers”. “A gente integra elas na rotina da loja. Elas sabem das novidades antes de o produto chegar. Deixou de ser apenas uma loja de maquiagem para virar uma comunidade”, conclui.
Diferencial: o atendimento
O avanço das compras em plataformas internacionais atingiu patamares recordes no Brasil. Pesquisa da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil revela cerca de 81,2 milhões de pessoas realizaram ao menos uma compra importada nos últimos 12 meses, atraídos por preços baixos e variedade. No entanto, no varejo de Mato Grosso do Sul, comerciantes locais provam que o grande diferencial não está apenas no frete grátis, mas na proximidade, no calor do atendimento e na segurança do contato direto.
O que o frete grátis não entrega
O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, ressalta que o comércio de proximidade tem vantagens que o e-commerce estrangeiro não pode entregar, que é a imediaticidade e a confiança. “O comércio local tem uma vantagem que precisa ser muito mais explorada: o cliente pode comprar hoje e receber hoje. Pode experimentar, trocar, conversar com o vendedor e resolver qualquer problema aqui mesmo. Podemos competir muito bem em agilidade, confiança e atendimento”, pontua Adelaido.
De fato, os hábitos de consumo mostram que o brasileiro valoriza o mercado interno. A pesquisa CNDL revela que 61% das pessoas prefeririam comprar em sites nacionais se o preço e a variedade fossem equivalentes. Quando o tempo de espera de 20 a 30 dias de uma encomenda internacional é colocado em xeque, 33% dos entrevistados preferem pagar até 10% a mais para receber o produto de uma loja nacional em até 3 dias.
Por Enzo Pereira
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