Varejo de MS cresce quase três vezes mais que a média nacional no primeiro semestre

Crédito: Magnific / Imagem Ilustrativa
Crédito: Magnific / Imagem Ilustrativa

Comércio varejista ampliado de Mato Grosso do Sul avançou 5,4% no período, enquanto a média brasileira foi de 1,9%; cenário é sustentado por baixa taxa de desemprego e aumento da renda

O varejo de Mato Grosso do Sul apresentou desempenho acima da média nacional no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do Termômetro do Varejo, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), o comércio varejista ampliado do Estado cresceu 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, quase três vezes o avanço registrado no país, de 1,9%.

No comércio varejista, sem considerar os segmentos que integram o varejo ampliado, o crescimento de Mato Grosso do Sul também ficou acima da média brasileira. O Estado registrou alta de 2,6%, enquanto o resultado nacional foi de 1,9%.

O desempenho ocorre em um cenário de mercado de trabalho favorável. A taxa de desemprego em Mato Grosso do Sul caiu para 2,7% no segundo trimestre, com cerca de 40 mil pessoas desocupadas. A renda média do trabalhador chegou a R$ 3.840, fator que contribui para manter o consumo das famílias.

Apesar dos indicadores positivos, o levantamento aponta sinais de atenção para a segunda metade do ano. A geração de empregos formais e o crédito apresentam sinais de desaceleração, enquanto a inflação voltou a ganhar força em Campo Grande.

Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, o baixo desemprego favorece o desempenho do comércio, mas o cenário exige cautela diante do nível de endividamento das famílias.

“Os números mostram que a taxa de desemprego segue em patamar historicamente baixo para o Estado. Esses dados favorecem o consumo e o desempenho do comércio. Na segunda metade do ano, o desafio será sustentar o ritmo de crescimento em um ambiente em que o endividamento segue elevado e pressionando o quadro financeiro das famílias”, afirmou.

Exportações também avançam no Estado

Além do desempenho do varejo, Mato Grosso do Sul registrou crescimento expressivo nas exportações. Entre janeiro e julho de 2026, as vendas externas chegaram a US$ 7,2 bilhões, alta de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na contramão, as importações recuaram 3,7%, totalizando US$ 1,4 bilhão. Entre os principais produtos da pauta de exportações estão a soja, responsável por 33,6% do total, a celulose, com 25,3%, e a carne bovina, que representa 18,4%.

A indústria sul-mato-grossense também apresentou resultado positivo no período, com crescimento de 4,5%, acima da expansão de 1,5% registrada pela indústria brasileira.

Já o setor de serviços teve comportamento diferente, com queda de 0,5% em Mato Grosso do Sul, enquanto o volume de serviços no país cresceu 2%.

Consumo mantém espaço mesmo com cautela

O ambiente de consumo também é percebido por empresários do setor. Dário Burda Júnior, proprietário da Artemis e Baco Vinhos, afirma que o estabelecimento, com pouco mais de 90 dias de funcionamento, já alcançou metas inicialmente projetadas para seis meses.

“Estamos com a casa aberta há pouco mais de 90 dias e já atingimos metas previstas para 180 dias. Apesar de percebermos um mercado mais retraído em alguns setores, sentimos um ambiente aquecido e uma boa resposta dos clientes”, afirmou.

Segundo o empresário, a estratégia foi apostar em produtos diferenciados e em uma experiência voltada ao consumo de vinhos, com rótulos nacionais, produtos premiados, queijos e petiscos.

O desempenho inicial também alimenta planos de expansão do negócio, com possibilidade de abertura de novas unidades ou adoção de um modelo de franquias.

Crédito e inflação exigem atenção

Apesar do avanço do varejo, os dados mostram que o cenário econômico ainda apresenta desafios para consumidores e empresas. O crédito para pessoas físicas cresceu 5,6%, enquanto o crédito empresarial avançou 5%. Ao mesmo tempo, a inadimplência alcançou 6,9% entre as pessoas físicas e 4,4% entre as empresas.

Em Campo Grande, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,6%. Entre os grupos que mais pressionaram os preços estão habitação, com alta de 7,6%, e saúde e cuidados pessoais, vestuário, transportes e educação, todos com avanço de 5,2%.

Mesmo diante dessas pressões, o desempenho do varejo sul-mato-grossense permanece acima da média nacional e coloca o Estado entre os destaques no cenário de consumo no primeiro semestre de 2026.

 

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