Tarifaço dos EUA mexe com mercado do boi, que fecha a R$ 336,68 em MS

Crédito: Magnific / Imagem modificada com uso de IA / Ilustração
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Anúncio de isenção de tarifas para 300 mil toneladas de carne bovina por 90 dias ocorre em meio à pressão de queda sobre os preços da arroba no mercado brasileiro

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar pressão de queda nesta sexta-feira (21), em meio à maior disponibilidade de animais para abate, especialmente entre os frigoríficos de maior porte. Em Mato Grosso do Sul, o preço médio da arroba encerrou o dia em R$ 336,68.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, frigoríficos passaram a intensificar as tentativas de compra em níveis mais baixos diante de uma posição mais confortável nas escalas de abate.

O cenário também foi influenciado pelo anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, que determinou a isenção total de tarifas para 300 mil toneladas de carne bovina durante 90 dias. A medida busca reduzir a escassez do produto no mercado norte-americano.

Para Iglesias, o Brasil pode estar entre os principais beneficiados pela decisão, considerando o perfil dos cortes incluídos na medida e o número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar para os Estados Unidos.

“As regras não foram estabelecidas, mas o Brasil pode ser o principal beneficiado da medida, diante do perfil de corte isento (prioritariamente dianteiro bovino) e pela quantidade de plantas habilitadas para exportação aos Estados Unidos que o país possui”, afirmou o analista.

Além de Mato Grosso do Sul, os preços médios da arroba registrados nesta sexta-feira foram de R$ 342,75 em São Paulo, R$ 333,04 em Goiás, R$ 335,88 em Minas Gerais e R$ 327,77 em Mato Grosso.

No mercado atacadista, o cenário permanece fragilizado, com expectativa de novas quedas nos preços no curto prazo. De acordo com Iglesias, a demanda continua enfraquecida pelo menor apelo ao consumo, enquanto proteínas concorrentes seguem competitivas.

“As proteínas concorrentes permanecem altamente competitivas, em um ambiente marcado pelo excesso de oferta de carne suína, carne de frango e ovos”, destacou.

No atacado, o quarto traseiro está cotado a R$ 26 por quilo, enquanto o quarto dianteiro é negociado a R$ 20 e a ponta de agulha, a R$ 19.

O movimento do mercado ocorre em um momento de atenção para as exportações brasileiras de carne bovina, especialmente diante das mudanças nas condições de acesso ao mercado norte-americano e dos efeitos que a medida anunciada poderá produzir sobre o comércio internacional da proteína.

 

 

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