Com expectativa de alcançar 150 mil matrizes, cadeia produtiva debate investimentos, tecnologia, nutrição animal e abertura de novos mercados
Nesta quarta-feira (10), Campo Grande voltou a ocupar posição de destaque no cenário da suinocultura ao sediar o V Simpósio ABRAVES-MS,(Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos de Mato Grosso do Sul), em parceria com a Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores).
O encontro reuniu produtores, técnicos, pesquisadores, estudantes e representantes da cadeia produtiva para debater desafios, avanços tecnológicos e perspectivas para o setor. Com uma programação dividida entre dois períodos, o evento abordou sobre as principais tendências de mercado e tecnologias voltadas à produção de proteína suína de forma sustentável e eficiente.
Segundo o presidente da ASUMAS, Renato Spera, a suinocultura sul-mato-grossense segue fortalecida, embora o ritmo de expansão tenha sido impactado pelo aumento das taxas de juros e pela maior exigência de garantias por parte das instituições financeiras. “O cenário atual é positivo. Existem ampliações acontecendo, mas o crescimento ficou um pouco mais lento por causa dos juros altos e das exigências de crédito. Ainda assim, existe a expectativa de alcançarmos 150 mil matrizes até o final do ano”.
Spera também chamou atenção para a recente queda no preço pago ao produtor independente, situação que tem preocupado o setor. Segundo ele, o valor pago atualmente pelo quilo do suíno está abaixo do custo de produção, mesmo diante de um cenário de exportações aquecidas e consumo estável. Além dos aspectos econômicos, a sanidade animal foi um dos temas centrais do evento.
Durante sua palestra, o presidente da Asumas ressaltou a importância da manutenção dos elevados padrões sanitários conquistados pelo estado, especialmente após o reconhecimento internacional do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação. “Conseguir a certificação aumenta nossa responsabilidade. Precisamos manter a vigilância, fortalecer as barreiras sanitárias e demonstrar ao mercado internacional que temos estabilidade e capacidade de resposta”, afirmou.
As perspectivas logísticas também foram abordadas durante o simpósio. A expectativa em torno da Rota Bioceânica foi apresentada como uma oportunidade estratégica para impulsionar tanto as exportações quanto a importação de insumos, ampliando a competitividade da produção sul-mato-grossense.
Além das discussões econômicas e sanitárias, o evento abriu espaço para debates técnicos sobre inovação e nutrição animal. Um dos palestrantes foi o professor Dr. Caio Abércio da Silva, que abordou estratégias nutricionais voltadas ao fortalecimento da imunidade dos suínos e à redução da incidência de doenças. “Não há uma estratégia isolada que resolva tudo. O que existe é uma combinação de ações que atuam de forma sinérgica. Podemos trabalhar com ajustes nos níveis proteicos da dieta, uso de aminoácidos, aditivos, probióticos e prebióticos para melhorar a saúde intestinal e, consequentemente, a resistência dos animais”.
Segundo o professor, a saúde intestinal desempenha papel fundamental no desempenho produtivo dos suínos. Dietas menos desafiadoras e mais equilibradas favorecem a digestão, a absorção de nutrientes e a eficiência alimentar. “Quando promovemos uma saúde intestinal de qualidade, temos melhor digestão e absorção dos nutrientes. Isso se traduz em maior ganho de peso, melhor conversão alimentar e melhores resultados zootécnicos”.
Além dos temas debatidos, o simpósio também proporcionou oportunidades de networking entre produtores, empresas, profissionais e pesquisadores.
Por Polyana Vera