Comissão de Relações Exteriores amplia diálogo com governo e setor produtivo para preparar o agronegócio brasileiro diante das novas exigências de exportação da UE
O Senado Federal intensificou as articulações para minimizar os impactos das novas exigências impostas pela União Europeia à importação de carne bovina brasileira. A CRE (Comissão de Relações Exteriores) decidiu ampliar o diálogo entre governo, produtores rurais, frigoríficos e especialistas para preparar o setor diante das mudanças que começam a entrar em vigor nos próximos meses.
As medidas foram definidas durante reunião do Grupo de Trabalho da CRE sobre o Acordo Mercosul-União Europeia. Entre as ações aprovadas estão a realização de um encontro com o novo embaixador da União Europeia no Brasil e a manutenção de uma agenda permanente de reuniões com representantes da cadeia produtiva da carne.
O grupo reúne integrantes dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária, da Missão do Brasil junto à União Europeia, da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), do Consórcio Brasil Central, além de empresários e especialistas em rastreabilidade e tecnologia para a pecuária.
Segundo o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a proposta é construir soluções em conjunto com o setor produtivo para reduzir os impactos das novas regras.
“O grupo foi criado justamente para ouvir os setores que possam ser afetados pela implantação das novas exigências e construir, junto com o governo e a iniciativa privada, estratégias para enfrentar esses desafios”, afirmou.
Novas regras entram em vigor
As discussões ocorrem às vésperas da entrada em vigor de novas normas da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Para continuar exportando carne ao bloco europeu, o Brasil precisará comprovar que os animais não receberam substâncias proibidas pelas autoridades europeias.
As novas exigências também incluem mecanismos de rastreabilidade capazes de acompanhar os animais ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a criação até a comercialização da carne. Apenas os produtos que atenderem aos critérios poderão receber certificação para exportação.
Tecnologia e rastreabilidade
Representantes da CNA defenderam que as exigências europeias sejam baseadas em critérios científicos e destacaram que o Brasil já atende aos padrões sanitários de diversos mercados internacionais.
Durante a reunião, empresários do setor afirmaram que o país já possui tecnologia suficiente para atender às novas exigências, desde que sejam realizados ajustes em sistemas de identificação e rastreamento dos animais.
O embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, chefe da Missão do Brasil junto à União Europeia, alertou que o mercado europeu continuará ampliando as exigências ambientais e sanitárias e defendeu planejamento de longo prazo para manter a competitividade da carne brasileira.
Para o Senado, a atuação conjunta entre governo e setor produtivo será fundamental para garantir que o Brasil continue competitivo no mercado internacional e evite prejuízos às exportações de carne bovina.
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