Semana do Pescado: peixe vira alternativa à carne e comércio espera alta de até 20% nas vendas

FOTO: ROBERTA MARTINS
FOTO: ROBERTA MARTINS

Ofertas chegam a 30% em produtos como pacu, mapará e carne moída de peixe; vendas no Mercadão já subiram 10% antes da abertura oficial

O preço mais alto da carne bovina tem levado consumidores às peixarias de Campo Grande. Com valores mantidos em patamares mais competitivos, comerciantes relatam que parte dos clientes passou a trocar a proteína bovina pelo peixe. A expectativa é de que a Semana do Pescado aumente ainda mais a procura.

Na Beto Peixaria, o proprietário estima crescimento de cerca de 20% nas vendas em setembro, na comparação com junho e julho. Para ele, a diferença de preços entre as proteínas já aparece no balcão. “Os clientes têm trocado bastante a carne pelo peixe”, afirma. A peixaria reforçou o estoque para atender à procura durante a campanha.

Entre os produtos mais procurados estão os filés. O filé de tilápia branca custa R$ 38,99 o quilo, enquanto o filé de piau é vendido por R$ 35. “Com a alta da carne bovina, os valores dos pescados ficaram no mesmo patamar. Com isso, imagino que as vendas dos pescados irão aumentar”, diz o proprietário.

Procura muda ritmo das compras

A mudança no consumo não começou com a campanha. Segundo o comerciante, a troca de proteínas ocorre ano a ano e já alterou até a frequência de abastecimento da peixaria. Antes, ele buscava pescado junto aos pescadores a cada dois ou três meses. Agora, a reposição ocorre a cada 20 dias.

“Essa troca de proteínas já vem acontecendo ano a ano. Antes eu ia buscar junto aos pescadores a cada 2 ou 3 meses, agora tenho que buscar a cada 20 dias”, relata. Os peixes da bacia do Paraná representam cerca de 40% das vendas do estabelecimento, com tambaqui e pacu entre os mais procurados.

O filé de tilápia aparece em seguida, acompanhado pelo pintado, vendido em filé ou postas. Durante a piracema, a peixaria forma estoque para manter a oferta. Para a Semana do Pescado, a unidade também reforçou os produtos disponíveis e prevê alta nas vendas.

“Se tiver divulgação, creio que aumenta uns 20%. O estoque está reforçado”, afirma. A expectativa do comerciante acompanha a projeção geral do setor, que estima crescimento entre 15% e 20% nas vendas durante a campanha. Em anos anteriores, a alta chegou a 30%.

Mercadão reduz preços para atrair clientes

No Mercadão Municipal, a reação às promoções começou antes da abertura oficial da Semana do Pescado. A Peixaria do Mercadão iniciou as ofertas na sexta-feira e fechou o fim de semana com vendas cerca de 10% superiores às do fim de semana anterior, segundo o proprietário, Cleuber Linares.

“Desde sexta-feira já começamos as promoções. A gente já percebeu uma crescente nas vendas”, afirma. Segundo ele, a Semana do Pescado é, depois da Semana Santa, um dos períodos de maior intensidade para o comércio. A expectativa é que o movimento aumente com a divulgação da campanha.

Os preços de cerca de 12 a 14 produtos foram reduzidos. Os descontos variam de 10% a 30%, conforme o item. “Teve itens que reduziu 10%, outros com 20%, outros com 30%. São vários produtos”, explica Linares.

Entre as ofertas está o pacu em postas, que passou de R$ 35 para R$ 29,90 o quilo. O filé de mapará caiu de R$ 37,90 para R$ 29,90, enquanto o filé de panga passou de R$ 42 para R$ 35,90. A carne moída de peixe teve a maior redução, de R$ 16,90 para R$ 9,90 o pacote de 800 gramas.

Comércio reduz margem para segurar preços

A redução dos preços envolve também negociação antecipada com fornecedores. Linares afirma que a peixaria procura obter condições melhores de compra para conseguir repassar parte do desconto aos consumidores. Para isso, o comércio também abre mão de uma parcela da margem.

“A gente busca com fornecedores. Assim que acaba a Semana Santa, a gente já vai buscar os fornecedores para eles baixarem um pouco na margem deles. Eu baixo um pouco na minha, para a gente conseguir repassar isso para os nossos clientes”, afirma.

Além dos cortes tradicionais, a peixaria também vende produtos prontos ou semiprontos. O pacu recheado sem espinho, por exemplo, é vendido temperado e acompanhado de farofa cuiabana. A carne moída de peixe também entrou na lista de ofertas da campanha.

“É um dos produtos que a gente já percebe que vai ter uma aceitação muito boa, o peixe temperado e recheado”, diz Linares. Também estão em promoção petisco de pacu, camarão médio descascado, bolinho de pacu e caldo de piranha.

Produção supera 53 mil toneladas

Mato Grosso do Sul produziu mais de 53 mil toneladas de pescado em 2025. Desse total, aproximadamente 38,8 mil toneladas foram de tilápia, segundo dados da Semadesc e da Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura.

As vendas do setor em 2026 também estão acima do ano passado. Segundo os dados apresentados na abertura da campanha, a comercialização acumulada no Estado está entre 3% e 4% acima do mesmo período de 2025.

A Semana do Pescado reúne comércio, restaurantes, produtores e outros segmentos da cadeia durante 15 dias. A iniciativa busca estimular o consumo fora de datas tradicionais, como a Semana Santa, com diferentes espécies, cortes e preparos disponíveis ao consumidor.

Por Djeneffer Cordoba

 

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