Queda do nível do Rio Paraguai preocupa setores ligados à atividade
Mesmo com o nível do Rio Paraguai em queda, a comercialização e o consumo de pescado seguem aquecidos em Corumbá. Segundo Marcelo Heitor, Superintendente da Pesca do Estado, as vendas de peixes neste ano estão acima das registradas no mesmo período de 2025, mostrando que a redução do volume de água ainda não provocou retração na procura pelo produto.
O cenário ocorre em um momento de atenção para a bacia do Rio Paraguai. De acordo com o 33º Boletim Semanal de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil, o nível do rio continua recuando em agosto, mesmo com o volume acumulado de chuvas acima da média.
Em Ladário, estação de referência para o monitoramento do Rio Paraguai na região, a régua marcou 2,28 metros em 19 de agosto. O índice representa uma redução de 13 centímetros em relação ao dia 12 e de 20 centímetros na comparação com 5 de agosto. A previsão é de que o nível recue mais 17 a 34 centímetros até a próxima semana.
Apesar da situação, os dados mostram que a bacia recebeu uma quantidade de chuva ligeiramente superior ao padrão histórico. Entre janeiro e julho de 2026, o acumulado ficou 5% acima da média histórica, considerando a série de 1998 a 2025.
O volume maior de chuva, no entanto, não foi suficiente para impedir a redução do nível do rio. Para o restante de agosto, a previsão aponta acumulado médio de apenas 2 milímetros de chuva na bacia, com maior concentração esperada para a região de Miranda.
Na comparação com a média histórica para 19 de agosto, todos os trechos monitorados entre Barra dos Bugres, em Mato Grosso, e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, apresentam níveis abaixo do esperado para a data. Ainda assim, os registros permanecem dentro da faixa considerada normal, embora próximos do limite inferior.
Pescado mantém procura em Corumbá
Mesmo diante da redução do nível do Paraguai, a cadeia do pescado mantém desempenho positivo em Corumbá. A Superintendência da Pesca informou que a venda e o consumo de peixes estão acima do registrado no mesmo período de 2025.
O resultado evidencia a força que o pescado possui na economia e na cultura local. Em uma cidade diretamente ligada ao Rio Paraguai e ao Pantanal, o peixe movimenta não apenas pescadores, mas também feiras, mercados, peixarias, restaurantes e outros estabelecimentos que fazem parte da cadeia de comercialização.
A manutenção da demanda também demonstra que, até o momento, a baixa do rio não foi suficiente para afastar os consumidores ou reduzir significativamente a movimentação do setor.
Apesar dos números positivos nas vendas, a continuidade da queda do rio é acompanhada com atenção pelos setores que dependem diretamente do Paraguai.
Queda do rio acende alerta na economia
Em Mato Grosso do Sul, 15 municípios estão atualmente sob algum nível de condição de seca, segundo levantamento do Cemtec. Ladário aparece em situação de seca moderada, enquanto Corumbá está classificada em condição de seca fraca.
A redução do nível do rio pode afetar diferentes atividades econômicas da região, principalmente aquelas relacionadas à navegação, pesca e turismo. Por isso, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será determinante para definir a evolução do cenário.
Por enquanto, os dados revelam uma situação de contrastes: o Rio Paraguai perde volume, enquanto o mercado de pescado de Corumbá mantém força e registra consumo e vendas superiores aos do mesmo período do ano passado.
O desempenho mostra que, apesar das condições hidrológicas adversas, o peixe continua tendo forte presença na mesa do consumidor e na economia corumbaense.
Por Ian Netto