Reajustes salariais de janeiro superam inflação em 94% das negociações

Empréstimo poderá ser contratado através da carteira de trabalho digital - Foto: divulgação
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Levantamento do Diesse aponta ganho real médio de 2,12%, o melhor resultado dos últimos 12 meses

Levantamento do Diesse (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela que 94% dos reajustes salariais com data-base em janeiro ficaram acima da inflação. A análise considerou 364 acordos e convenções coletivas registrados no sistema Mediador até 2 de fevereiro e mostra que a variação real média foi de 2,12%, o melhor desempenho para uma data-base nos últimos 12 meses.

De acordo com o estudo, os resultados refletem principalmente a queda das taxas de inflação observada desde o último trimestre de 2025 e a política de valorização do salário mínimo, que garantiu reajuste de 6,79% ao piso nacional em janeiro. Entre os acordos analisados, 4,1% tiveram reajustes equivalentes à inflação e apenas 1,9% registraram perdas salariais, configurando o maior percentual de negociações com ganhos reais nas últimas 12 datas-bases. A tendência de alta na variação real média vem sendo observada desde setembro de 2025 e se consolidou no início deste ano.

Para a advogada empresarial e trabalhista Natalia Santos Pereira, trabalhadores e empresas precisam estar atentos às regras que determinam os reajustes. “O trabalhador precisa se atentar em dois pontos: primeiro, se a base de cálculo dele é o salário mínimo ou se a categoria em que ele atua possui um piso salarial específico para aquela função”, explica. Segundo ela, empresas que remuneram com base em convenções coletivas devem aguardar a publicação dos instrumentos de 2026 para aplicar corretamente os novos percentuais. “As empresas que trabalham com trabalhadores remunerados de acordo com as convenções coletivas precisam aguardar sair as convenções coletivas desse ano de 2026 para que façam os reajustes de acordo.”

A advogada ressalta que, em regra, empregados que recebem acima do salário mínimo costumam ter reajustes definidos pela própria categoria profissional. “Contratualmente, o trabalhador que recebe valor acima do salário mínimo geralmente tem o reajuste de acordo com a própria categoria”, afirma. Ela alerta ainda para os riscos do descumprimento. “O não pagamento pode incorrer em causas trabalhistas, como rescisão indireta, pagamento posterior acumulado com correção monetária, juros e multa.” Por isso, reforça, é fundamental que as empresas acompanhem atentamente as convenções coletivas das categorias em que possuem empregados e observem o salário mínimo vigente.

Do total de reajustes analisados pelo DIEESE, 15,9% foram concedidos de forma escalonada, com percentuais diferenciados conforme a faixa salarial do trabalhador ou o porte da empresa. Os ganhos reais predominaram nos principais setores da economia: no comércio e nos serviços, 96,2% das negociações ficaram acima da inflação, enquanto na indústria o percentual foi de 91,4%. Resultados abaixo do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) ficaram em torno de 1% dos casos, com exceção do comércio, que não registrou perdas. O setor rural ainda não apresentou número suficiente de acordos para análise consolidada em janeiro de 2026.

Na comparação por atividade, a variação real média foi de 1,75% no comércio, 1,80% na indústria e 2,37% nos serviços. Regionalmente, os reajustes acima da inflação foram frequentes em todo o país, com destaque para o Nordeste, onde 98,2% das negociações registraram ganhos reais e não houve resultados abaixo da inflação. O menor percentual foi observado no Centro-Oeste, com 88,1% dos reajustes acima do INPC, região que também concentrou o maior índice de resultados inferiores à inflação, atingindo 7,1%.

Por Ana Krasnievicz

 

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