Levantamento do O Estado mostra leve queda nos ovos e carnes em 14 dias; setor produtivo teme que guerra no Irã encareça fretes e embalagens em breve
Enquanto o mercado global de commodities reage com nervosismo aos conflitos no Oriente Médio, a pesquisa semanal da cesta básica realizada pelo O Estado indica que os preços das principais proteínas apresentaram estabilidade, ou até mesmo leves recuos, na Capital.
O levantamento, realizado nesta sexta-feira (27), comparou os valores atuais com os dados coletados há duas semanas. O resultado contraria, ao menos por ora, o alerta da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). A entidade aponta que a guerra no Irã já pressiona os custos de produção de ovos, frango e suínos no Brasil.
O “nó” logístico global é o principal fator de risco. Segundo a ABPA, a alta do diesel já elevou os fretes rodoviários em até 20%. Além disso, o Estreito de Hormuz — rota vital para o comércio internacional — vive dias de tensão, o que encareceu em 30% as embalagens plásticas, que são derivadas do petróleo.
Apesar desse cenário de incerteza no horizonte, a média do preço dos ovos em Campo Grande permaneceu praticamente imóvel: passou de R$ 10,04 para R$ 10,03. O produto apresenta uma variação de 22% entre o menor valor encontrado na cidade, de R$ 8,98, e o teto da tabela, que chega a R$ 10,98.
O fenômeno é impulsionado pelo chamado “boom das proteínas”. O consumo de ovos saltou para 287 unidades por brasileiro em 2025. O que antes era visto com ressalvas na dieta, hoje é o “fiel escudeiro” de atletas e adeptos do estilo de vida fitness, especialmente na era das medicações modernas para emagrecimento.
Elsio Figueiredo, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, explica que a indústria superou barreiras biológicas para garantir essa oferta. “Antigamente, a produção de ovos caía na Quaresma porque os dias ficam mais curtos. Hoje, controlamos a luminosidade artificialmente, garantindo que o ciclo das galinhas não seja interrompido”, afirma.
No setor de aves, o frango congelado também deu uma trégua ao bolso. A média caiu de R$ 10,29 para R$ 10,22 o quilo. A amplitude de preços para este item na Capital é de R$ 4,50, variando entre o mínimo de R$ 8,39 e o máximo de R$ 12,89.
A paleta suína seguiu o mesmo ritmo de recuo, com a média caindo de R$ 16,74 para R$ 16,34 em catorze dias. O valor mínimo registrado para o corte foi de R$ 14,89. Este movimento local acompanha a tendência nacional do IPCA, que registrou queda de 1,62% no acumulado de 12 meses para a carne de porco.
Para quem planeja o cardápio da Sexta-Feira Santa, o momento é de oportunidade, mas exige cautela. “Além do consumo direto para substituir a carne, a Quaresma aumenta a demanda por ovos em massas e sobremesas”, lembra Figueiredo. A produção nacional, que saltou de 57,7 bilhões para 62,2 bilhões de unidades em um ano, é o que sustenta o equilíbrio atual.
Por Djeneffer Cordoba
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram