Escassez do fruto por intempéries no Sudeste inflaciona cotações no Estado, com caixa da fruta importada atingindo teto de R$ 250 no atacado
Enquanto consumidores sentem o peso no bolso nos supermercados e feiras de Mato Grosso do Sul, o mercado atacadista estadual confirma a tendência de alta expressiva nos preços do limão Tahiti. A escassez do fruto, puxada por chuvas irregulares e excessivas que prejudicaram a florada no início do ano nas principais regiões produtoras do país, como o cinturão cítrico paulista — também pressiona os custos locais no Estado.
De acordo com o boletim de cotações da DPDAG (Departamento de Defesa Agropecuária) vinculada ao MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), a caixa de 20 kg do limão Tahiti produzido no próprio Estado é comercializada no atacado com preço médio comum de R$ 220,00, podendo alcançar o teto de R$ 230,00, com tendência de mercado firme. Quando o produto precisa ser importado de São Paulo para suprir a demanda sul-mato-grossense, o preço fica ainda mais salgado: a mesma embalagem de 20 kg sai a uma média de R$ 240,00, chegando a R$ 250,00 no valor máximo.
O cenário reproduz em menor escala a disparada registrada em grandes entrepostos nacionais. Segundo levantamento da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgado pela Agência Brasil, a média do preço pago ao produtor paulista saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 no pico de agosto, uma alta de mais de 226%, enquanto o quilo na CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) bateu R$ 8,62.
No âmbito estadual, a oferta depende de polos de agricultura familiar e iniciativas de incentivo à fruticultura, como o programa Agro Rica em Costa Rica, além de produtores em Figueirão, Camapuã, Ivinhema e no cinturão verde que abastece a CEASA-MS (Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul) na região da Capital. No entanto, como o volume local nem sempre é suficiente para cobrir a demanda interna, o mercado absorve o impacto das intempéries climáticas de fora, mantendo os preços firmes até a chegada do volume mais robusto da nova safra, prevista para meados de novembro.
Por Enzo Pereira