Pós-Páscoa, supermercados apostam em promoções para evitar prejuízos com ovos encalhados

Promoções de ‘leve 2,
pague 1’, são estratégia
para liquidar últimos
ovos de Páscoa - Foto: Roberta Martins
Promoções de ‘leve 2, pague 1’, são estratégia para liquidar últimos ovos de Páscoa - Foto: Roberta Martins

Varejistas de Campo Grande recorrem a descontos agressivos para escoar estoques e últimas peças dos produtos

Passado o período da Páscoa, um movimento já esperado ganha força nos corredores de supermercados e lojas especializadas: a queima de estoque de ovos de chocolate que não foram vendidos durante a data. Na quinta-feira (9), a reportagem do jornal O Estado esteve em um dos principais locais de vendas dos ovos. Segundo donos e gerentes dos estabelecimentos, a estratégia, além de evitar desperdício, se torna essencial para manter o fluxo de caixa e recuperar parte do investimento feito pelos comerciantes.

Com preços mais elevados em 2026, o valor médio dos ovos subiu cerca de 27% nos últimos anos e muitos consumidores optaram por alternativas mais baratas, como barras e bombons, ou reduziram a quantidade de compras. Isso contribuiu para um volume maior de produtos remanescentes após o feriado.

Diante desse cenário, redes varejistas iniciam liquidações agressivas já nos dias seguintes à Páscoa, com descontos que podem ultrapassar 50%. A prática é considerada comum no setor e faz parte do planejamento logístico das empresas, já que ovos de chocolate têm forte apelo sazonal e menor saída fora do período comemorativo.

Pedro Teixeira, gerente da rede de supermercados Pires, confirma que o fluxo na procura por ovos de páscoa superou 2025. “Foi muito bom as vendas, correspondeu direitinho as nossas expectativas, superando 2025. Além dos ovos, outro item que teve bastante procura foi a parte de pescados também , devido a semana santa” afirma Pedro

O gerente conta que foram pedidos mais de 200 ovos para a data e que permaneceu menos de 20% no estoque da loja e com o que sobrou, está sendo feitas promoções. ” Passando o período da páscoa, aí é feito dois por um pra ver se conseguimos desovar esse produto, para esvaziar o estoque. E geralmente esses produtos eles são alinhados com o fornecedor, quando não consegue vender tudo a gente consegue fazer a devolução do produto. Já existe esse combinado de caso não venda a gente faz a devolução do material” conta o gerente.

 

Giro de estoque

Além de reduzir perdas, as promoções também funcionam como estratégia para atrair consumidores ao ponto de venda, incentivando compras por impulso de outros produtos. Em muitos casos, os itens encalhados são reposicionados como “especiais”, ampliando o giro de estoque e evitando descarte.

Especialistas do varejo apontam que a diversificação de produtos e a oferta de descontos progressivos são fundamentais nesse momento. Combos promocionais, por exemplo, ajudam a aumentar o volume vendido rapidamente, enquanto o consumidor se beneficia de preços mais acessíveis.

Mesmo com desafios como o aumento de preços e um consumidor mais cauteloso, a Páscoa segue sendo uma das datas mais importantes para o comércio. Em 2026, a expectativa é que a economia de Mato Grosso do Sul movimente cerca de R$ 335,68 milhões.

Desse total, aproximadamente R$ 170 milhões foi destinados à compra de presentese, principalmente chocolates.

Na capital, Campo Grande, a movimentação econômica deve ultrapassar R$ 103 milhões, com crescimento em relação ao ano anterior e aumento no ticket médio dos consumidores.

Outro destaque é a mudança no comportamento de compra: além dos tradicionais ovos industrializados, cresce a procura por produtos artesanais, que já disputam espaço com grandes marcas.

Apesar dos números positivos, o perfil do consumidor tem mudado. A busca por preços mais baixos e promoções é cada vez mais intensa, com cerca de 74% dos clientes preferindo descontos à vista.

Esse comportamento explica tanto o aumento da competitividade entre lojistas durante a Páscoa quanto a importância das liquidações no período pós-data. Para os empresários, vender com desconto ainda é mais vantajoso do que manter produtos parados em estoque.

Assim, o ciclo da Páscoa no varejo não termina no domingo festivo: ele se estende nos dias seguintes, quando promoções se tornam a principal ferramenta para transformar sobras em faturamento e garantir que o chocolate não vire prejuízo.

Por Ian Netto

 

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