Para onde vai o meu dinheiro? Amor pelos animais transforma gastos com pets em prioridade no orçamento

Foto: reprodução/Canva
Foto: reprodução/Canva

O que antes era restrito à alimentação básica e vacinas eventuais tornou-se uma cadeia de serviços complexa. Hoje, os pets são vistos como membros essenciais da família, e essa mudança de comportamento reflete diretamente no peso das faturas ao fim do mês. O quadro “Para Onde Vai o Meu Dinheiro?”, analisa o impacto dos animais de estimação nas finanças domésticas em Campo Grande.

Aline Moreira, economista explica que o setor tem apresentado uma inflação superior à média geral. Esse fenômeno ocorre pela sofisticação do mercado e por fatores macroeconômicos. “Tivemos custos maiores relacionados à importação, dólar e logística em medicamentos e vacinas. Além disso, as famílias buscam produtos de maior qualidade e inovações que acompanham essa visão do pet como um filho”, afirmou. Muitos lares estão alterando as prioridades de consumo para garantir o bem-estar animal. De acordo com a especialista, não é raro ver famílias abrindo mão de lazer e compras pessoais para manter o padrão de cuidado com os bichos. “Se o animalzinho é a prioridade, a pessoa substitui parte do lazer pelo cuidado. O prejuízo ocorre quando ela tenta manter os dois hábitos sem ter orçamento para isso”, pontuou a economista.

Este é o caso da Iana Marcondes, ela é professora e tem cinco cachorros em sua casa (Gal, Elisângela, Danada, Katrina e Pipoca). Como o custo médio mensal dela é elevado, girando em torno de R$ 700 mensais, quando acontece alguma adversidade financeira, ela tem que se adaptar.” Em casos de meses que necessitamos de cortes de gastos por motivos diversos, temos duas estratégias. Uma é reduzir o gasto com bares e restaurantes e escolhendo opções de lazer em casa ou em espaços públicos, como praças e feiras. Outra estratégia a qual recorremos, sempre que nossos gastos com veterinários e remédios aumenta, realizamos banho e tosa em casa. Há algum tempo adquirimos uma máquina de tosa para esses casos. Como são 5 cachorras, isso envolve uma economia em média de 300 reais por mês”, explicou a professora.

Já o caso da Gabriela Quinteiro, graduanda em economia não é tão ostensivo, ela tem um casal de cachorros em sua casa (Cacau e luke), então seu planejamento passa em manutenções básicas. “Meus gastos mais recorrentes são com ração e produtos para banho, pois dou banho neles em casa mesmo, costumo gastar em média R$ 180 com a periodicidade bimestral. Mas também gasto com coleira de carrapato e vermífugo, a cada 6 meses, por volta de R$ 270 e as vacinas, que nos cães adultos são 1 vez ao ano, R$ 150. Sem contar os brinquedos, petiscos e outros gastos que ficam numa média de R$ 60 a cada 2 ou 3 meses”, aponta a graduanda.

Para evitar que o afeto resulte em dívidas, a organização é fundamental. Aline Moreira destaca que não existe um percentual fixo ideal do salário destinado aos animais, pois a realidade varia conforme cada domicílio. A orientação técnica é enquadrar esses custos como gastos fixos mensais. Assim, o tutor reserva antecipadamente o valor para ração e higiene, evitando o uso de crédito emergencial. Marcondes analisa que este planejamento é muito necessário para não faltar ao final do mês. “No cotidiano, nosso principal planejamento está na compra dos produtos online, onde conseguimos economizar uma média de 100 reais por mês com promoções para a compra com recorrência de produtos, bem como utilização de cupons de desconto. Já em casos de viagens, tentando buscar pessoas de confiança para cuidar e passear com elas para tentar economizar o gasto com hotel pet, que tendem a ser bem caros”.

As emergências veterinárias representam o maior risco para o planejamento financeiro devido aos valores elevados e imprevistos. Para contornar esse gargalo, a economista recomenda a criação de uma reserva financeira específica ou a adesão a planos de saúde pet. “Existem planos que custam de R$ 19,99 a R$ 99,00 por mês. Eles ajudam a economizar em consultas, medicamentos e até utensílios”, explicou. Quinteiro experienciou esta situação no início deste ano e a reserva financeira foi o fator principal para resolver a emergência.

“No início desse ano mesmo, a minha fêmea entrou antes do esperado no cio e meus cachorrinhos cruzaram. Optei por castrá-la pois o meu machinho tem uma condição que não era recomendada a cruza… foi essa reserva que permitiu que eu arcasse com os gastos veterinários para castrar a fêmea, e posteriormente, o macho também, o que totalizou em média R$ 800”, finalizou.

Ainda assim o cuidado com os “animaizinhos” é um indispensável nestas e nas de muitas famílias, mesmo que isso restrinja gastos em outras áreas. A professora conta que por mais que não tenha mais condições de manter mais um pet em sua casa, tenta ajudar como pode. “Nós fizemos alguns ajustes financeiros e compramos ração de cães e gatos para alimentar animais de rua. Deixamos no porta-malas do carro e sempre que vemos algum animalzinho de rua, paramos para alimentá-los”.

Por Enzo Pereira

 

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