Entre IPVA, seguro, pneus e revisões e gastos surpresas com automóveis pesam no orçamento doméstico
No orçamento das famílias de Mato Grosso do Sul, manter um veículo próprio tornou-se um dos principais gargalos financeiros de 2026. O IPCA medido em Campo Grande aponta que as despesas com transportes continuam pressionando fortemente o bolso do consumidor. Na série de reportagens do jornal O Estado, “Para Onde Vai o Meu Dinheiro?”, a manutenção e os consertos mecânicos aparecem como os grandes vilões silenciosos da renda familiar.
O primeiro passo antes de comprar ou manter um automóvel é avaliar a real necessidade de possuir o bem. Aldo Barrigosse, economista, destaca que a aquisição de um automóvel exige uma análise criteriosa, que deve ir muito além do preço de compra exibido na concessionária ou nas páginas de classificados da Capital.
“Antes de adquirir o veículo, o cidadão precisa lembrar que ele tem o IPVA, que é anual, e o seguro do veículo por garantia”. O economista explica que o carro sofre uma depreciação severa e constante, estimada em média em 10% ao ano.
“A cada ano, o bem vai perdendo valor. É preciso avaliar se esse dinheiro, se estivesse aplicado de forma proporcional, não estaria rendendo muito mais para o cidadão no longo prazo, auxiliando na entrada de um imóvel, na abertura de uma empresa ou no empreendedorismo”, pondera o especialista.
Existe ainda os “gastos surpresas”, causados por acidentes, batidas ou arranhados. Essas casualidades podem significar um reparo de um simples pneu furado até a troca da suspensão do veículo, em levantamento realizado pela reportagem o custo pode chegar a R$ 3.000, para casos mais graves. Na parte de funilaria o preço base é de R$ 900,00, aproximadamente 55% do salário mínimo.
Conserto inesperado pode virar dívida
Andre Luiz Silva trabalha como entregador, ele relata que nos últimos meses ele estava prestando serviços de transporte por aplicativo, mas parou após dois incidentes. “ eu tive gastos de mais de R$ 400,00 com a roda da moto, rasguei o pneu duas vezes, uma foi porque eu passei em um buraco e eu com uma passageira, quase caímos. Depois disso eu até parei com isso, fiquei só com as entregas, que eu tenho mais controle posso andar no meu tempo”. Relata o entregador.
Diante de uma quebra mecânica repentina e de alto custo na Capital, a falta de planejamento pode levar ao superendividamento. A recomendação inicial de Barrigosse é realizar orçamentos em diferentes oficinas de confiança para comparar os preços. Caso o conserto seja urgente e o proprietário não disponha de recursos imediatos, o cartão de crédito acaba sendo a única alternativa disponível. Contudo, o economista faz um alerta grave sobre essa escolha.
Para quem busca economizar, a migração definitiva para o transporte por aplicativo ou transporte coletivo deve ser considerada. De acordo com o especialista, a maioria dos consumidores que possuem carro próprio não utiliza o veículo em toda a sua capacidade de tempo e utilidade.
“Muitos motoristas utilizam o carro por poucas horas ao dia, deixando o bem parado na garagem na maior parte do tempo. Se o morador de Campo Grande colocar no papel os custos anuais de IPVA, seguro, licenciamento e as revisões exigidas pelo fabricante, e comparar com o transporte por aplicativo, verá que o aplicativo atende à necessidade por um custo menor”, conclui Barrigosse. O planejamento das despesas com o carro continua sendo o melhor caminho para garantir a saúde financeira das famílias no Estado.
Quando recorrer ao cartão de crédito?
Segundo o especialista econômico, a parcela do cartão de crédito tem que caber rigorosamente no orçamento do mês seguinte. “Se o consumidor não conseguir pagar a fatura e cair no crédito rotativo do cartão, ele enfrentará taxas de juros absurdas que alcançam quase 500% ao ano. Essa é uma armadilha que cria uma rotina financeira negativa difícil de ser quebrada”, adverte.
Por Enzo Pereira
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