Nova cota de dólares deve intensificar compras na fronteira

Um dos temas que ganharam repercussão nos últimos dias foi o aumento da cota máxima de compras permitida para quem cruza a fronteira do Brasil com o Paraguai via terrestre de US$ 300 para US$ 500 por pessoa. Para os empresários da fronteira, a medida vai impulsionar o turismo de compras, porém a situação estaria melhor se o poder compra dos brasileiros não estivesse enfraquecido.

Segundo o presidente Jair Bolsonaro, além dos valores gastos no país vizinho, o limite atual para compras em free shops (lojas francas) de aeroportos também foi alterado para até US$ 1 mil. O decreto assinado na segunda-feira (14) pelo ministro da Fazenda Paulo Guedes, entra em vigor no 1 de janeiro de 2020 em todo o território nacional.

Segundo Alejandro Benitez Araña, Presidente da Câmara de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços de Pedro Juan Caballero, a notícia foi recebida do outro lado da fronteira com muito entusiasmo, já que para ele, possibilitará que os consumidores comprem com mais confiança e segurança.

“A verdade é que isso dará mais segurança aos turistas de compras brasileiros, que poderão levar com mais seguranças suas compras de até US$ 500 e, talvez isso, incentive que eles cheguem cada vez mais a nossa fronteira com o Paraguai para comprar. A notícia foi recebida com muitos aplausos esta semana pelas redes sociais do Presidente Bolsonaro”, explica.

Contudo, Aranha ressalta que a medida, mesmo que positiva, precisa ter o respaldo da recuperação econômica brasileira, pois, com isso, a população terá melhores condições de comprar em um maior volume. “Sabemos que este não é o fator principal para que melhorem as vendas na nossa fronteira com o Brasil, o que precisamos de verdade é uma estabilidade do dólar com o real, mas sabemos também que isso não está apenas nas mãos do governo brasileiro. Então, somente quando a instabilidade acabar, aí sim poderemos obter uma confiança maior dos visitantes, porque ao chegar terão melhores preços, apesar que sempre temos melhores preços graças aos incentivos fiscais que o governo paraguaio proporciona aos turistas”.

Ainda, ele diz que o país vizinho é o maior interessado na recuperação brasileira. “O Paraguai é o maior interessado em que o Brasil tenha uma verdadeira recuperação econômica. Somos os primeiros que torcem para que o Brasil melhore a sua economia. Mas, devemos ressaltar que mesmo assim, isso já vai ajudar na confiança no momento das compras, mas precisamos sim, que a economia brasileira se recupere”, acrescenta.

Para Márcio Paredes, gerente do Hotel Casino Amabmbai, a cota de 500 dólares ajuda, mas ainda é pouco tendo em conta que se o valor fosse superior poderia auxiliar e colaborar para que os turistas permanecessem no Paraguai por mais tempo e gastando mais.

“Isso certamente já ajuda, não podemos negar, mas eu acredito que esse valor ainda é baixo tendo em conta que alguns produtos ultrapassam esses valores com muita facilidade, principalmente os eletrônicos, por isso se fosse talvez entre mil ou mil e quinhentos já seria bem melhor, até mesmo para aqueles que ficam ai por mais tempo, hospedados em nossos hotéis”, ressalta.

Prós e Contras

A economista Daniela Teixeira Dias, do IPF-MS (Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MS) avisa que o tema será discutido na próxima semana. Entretanto, ela ressaltou que em termos de análise já é possível identificar pontos positivos como a chegada de turistas aos portos em busca de um conhecimento maior sobre o país e outros nem tanto.

“Essa vai ser uma das nossas discussões de trabalho, em conjunto com outras Confederações na próxima quarta-feira (23), mas o que acredito em termos de análise que temos dois pontos que podemos considerar como positivos, o primeiro: o turismo, já que vai estimular o turismo de compras e o próprio turismo de fronteira. Então, você estreita essas relações com os outros países. Segundo: temos muitas questões relevantes que dizem respeito a fronteira com a parte de Corumbá com a Bolívia, e a fronteira com o Paraguai, e ali já temos produtos diferenciados, e temos as questões relacionadas a valores mais baixos e aí podemos estimular ainda mais essas compras”, explica.

Sobre os pontos que podem não ser tão favoráveis, segundo a economista, está a desestimulação das compras em território nacional. “Por outro lado, podemos desestimular o comércio local, já que temos um comércio local que não necessariamente foi produzido no Estado. Então, muitos bens que consumimos no estado vem de outros estados e podemos então fazer com que os consumidores tenham acesso a esses produtos com preços mais reduzidos, se por um lado podemos estimular a economia de estreitamento também nos preocupamos com o comércio local, mas temos uma via de mão dupla”, acredita.

Quem atravessa a fronteira

O representante comercial Edson Pereira, 37, afirma que vai com frequência ao país vizinho comprar e que a mudança não altera muito a realidade do turismo de compras. “Eu acho que isso não vai afetar em muita coisa, pouca gente declara as compras e não tem muita fiscalização. Então, acredito que se existir uma fiscalização rigorosa talvez sim esses valores sejam importantes”, afirma.

Já para Rosa Carneiro, 48, do lar, a mudança vai possibilitar uma melhora e ela até pensa que já irá mais vezes ao país vizinho no ano que vem. “Eu sempre que consigo vou, acho que poder trazer uma quantidade de produtos maior com a certeza que não vai ser barrado, vai sim facilitar, acho que até anima mais as pessoas em irem lá, eu mesma penso em ir mais”, finaliza. (Michelly Perez)

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