Levantamento aponta diferenças entre postos e formas de pagamento como dinheiro ou crédito
O preço do etanol em postos de combustíveis de Campo Grande apresenta variações consideráveis, dependendo do estabelecimento e da forma de pagamento. Dados e valores coletados em seis postos da capital sul-mato-grossense,na quinta-feira (05) mostra que o litro do combustível pode custar entre R$ 3,88 (pagamentos por aplicativo do estabelecimento) e R$ 4,79 no crédito.
O menor valor (R$ 3,88) encontrado foi em um posto da rede Ipiranga, na Avenida Calógeras. Para outras formas de pagamento, como à vista o valor fica R$ 4,07, já no cartão de crédito o litro sobe para R$ 4,27.
Já em postos da bandeira Petrobras, os preços também variam entre unidades. Em um dos estabelecimentos pesquisados, o litro foi encontrado a R$ 4,09 no dinheiro e R$ 4,29 no cartão. Em outro ponto da mesma bandeira, o valor registrado foi de R$ 4,15, uma diferença de 14 centavos entre uma unidade e outra.
No posto Royal Fic, o combustível apresentou uma das maiores diferenças de preço: R$ 4,14 no pagamento em dinheiro e R$ 4,79 no cartão, o maior valor identificado no levantamento realizado pelo Jornal O Estado.
Outro local pesquisado foi o posto Alloy, onde o etanol estava sendo vendido por R$ 4,15 no dinheiro e R$ 4,35 nas demais formas de pagamento.
De forma geral, os valores mais baixos são oferecidos para pagamentos em dinheiro, enquanto o cartão costuma apresentar preços mais elevados devido às taxas cobradas pelas operadoras financeiras.
Consumidor final
Para Paulo Santana, o preço pago atualmente na bomba está acima do esperado. “Olha, para ser bem sincero, tudo está subindo. A taxação de imposto está muito alta, então o que a gente está pagando atualmente no litro da gasolina está acima da média”, afirma o vendedor.
Ele também destaca o impacto do alto valor do combustível em outros setores da economia.
“É complicado porque o combustível impacta em tudo. Não somente no consumidor que tem carro, mas também em serviços, transporte e alimentação. Então impacta em tudo. Para o comerciante já está complicado. O poder de compra do consumidor está muito baixo e isso acaba refletindo diretamente no consumo. Se impacta o comerciante, vai impactar o funcionário também. Tanto que o centro da cidade está com muitos locais fechados ou para alugar”, relata Paulo.
Na tentativa de buscar por mais economia, a dica de especialista ouvidos pela reportagem para saber qual combustível compensa mais (álcool ou gasolina) é: dividir o preço do litro do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for menor que 0,7 (ou 70%), o álcool é mais vantajoso. Se for maior que 0,7, a gasolina compensa mais, pois o etanol rende cerca de 30% menos.
Já para Vanderley Marotzky, com a alta demanda e a oferta limitada, os preços ainda podem subir.“É certo que vai ter aumento. Porque a oferta vai se manter e a demanda vai ser menor”, relata.
Para ele, apesar do valor atual ainda estar dentro de um limite suportável, existe preocupação com novos reajustes.“Eu acho que ainda está dentro da margem que a gente suporta, mas o que não pode acontecer é ele disparar e subir como foi nos últimos anos”, afirma o comerciante.
Cenário nacional
Apesar das variações observadas nos postos de Campo Grande, dados divulgados pelo portal especializado NovaCana indicam que o preço médio do etanol apresentou queda na média nacional após quatro meses consecutivos de alta. Segundo levantamento com base em dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o biocombustível foi comercializado em média a R$ 4,63 por litro no país, uma redução de aproximadamente 0,4% em relação à semana anterior.
No levantamento da ANP, o menor preço registrado no país foi de R$ 3,83 por litro, enquanto o maior chegou a R$ 6,49, demonstrando grande variação regional. Em Mato Grosso do Sul, o preço médio estadual ficou em torno de R$ 4,25 por litro, um dos menores do país.
Além das variações locais e nacionais, especialistas do setor energético acompanham com atenção o cenário internacional, especialmente as tensões envolvendo o Irã e conflitos na região do Oriente Médio. Eventuais escaladas militares ou sanções econômicas podem afetar diretamente a produção e a distribuição global de petróleo.
Conflitos que envolvem países produtores ou rotas estratégicas de transporte de petróleo tendem a provocar instabilidade nos preços. Como consequência, isso pode pressionar o valor da gasolina e do diesel no Brasil, o que indiretamente também influencia o mercado do etanol.
Embora o etanol seja produzido majoritariamente no país, principalmente a partir da cana-de-açúcar, ele costuma acompanhar parte das oscilações da gasolina, já que os dois combustíveis competem diretamente nas bombas.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que consumidores acompanhem os preços e aproveitem as opções mais econômicas nos postos, já que mudanças no mercado internacional podem refletir nos combustíveis nas próximas semanas.
Por Ian Netto