O governo federal decidiu estender por mais 30 dias a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina, medida criada para reduzir os impactos da alta dos combustíveis sobre os consumidores. A decisão ocorre em meio ao aumento do preço internacional do petróleo, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio.
A subvenção de R$0,44 por litro de gasolina atualmente em vigor será prorrogada por 30 dias, em meio à alta da cotação do petróleo com o acirramento do conflito no Oriente Médio, informou nesta quinta-feira o Ministério da Fazenda.
Em entrevista à BandNews, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a prorrogação será financiada com o aumento da arrecadação obtido pelo governo em razão da valorização do petróleo, por meio de royalties e tributos recolhidos pelas empresas do setor.
“A gente vai ver o aumento da arrecadação, nós não vamos deixar a família brasileira pagando… É um recurso que vai entrar, que é certo, e que vai ser usado para pagar o subsídio da gasolina”, afirmou.
A manutenção do benefício já vinha sendo estudada pelo governo. Na semana passada, a Reuters antecipou que a equipe econômica pretendia preservar os subsídios concedidos tanto à gasolina quanto ao diesel para evitar um aumento expressivo nos preços dos combustíveis.
No caso do diesel, o governo reduziu parte da subvenção no fim de junho, após um período de queda nas cotações internacionais do petróleo. Mesmo assim, continua em vigor um benefício de R$ 1,12 por litro do combustível.
Para a gasolina, a subvenção de R$0,44 por litro teria validade até o dia 25 de julho. Segundo a Fazenda, uma portaria assinada por Durigan estenderá a validade do benefício por mais 30 dias a partir de 26 de julho.
A pressão sobre os preços do petróleo voltou a crescer nesta semana. Os contratos da commodity fecharam acima de US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio, após rebeldes houthis, do Iêmen, afirmarem ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, ampliando os temores de novas interrupções no abastecimento global, que já vinha sendo afetado pelas restrições no Estreito de Ormuz.
Ministro defende ajuste fiscal e critica tarifas dos EUA
Durante a entrevista, Dario Durigan também comentou o cenário econômico brasileiro. Segundo ele, o atual patamar da taxa de juros afeta não apenas as famílias, agricultores e empresas, mas também aumenta os custos do governo para financiar a dívida pública.
O ministro reconheceu que, apesar da melhora nas contas públicas, ainda será necessário avançar na consolidação fiscal, com redução de despesas e fortalecimento da arrecadação tributária.
“O mesmo esforço que foi feito, de fazer um ajuste de 2 pontos percentuais (do PIB no atual mandato), tem que ser feito no próximo mandato”, afirmou.
Durigan ainda criticou a decisão dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. Segundo ele, a medida não tem justificativa econômica e o governo brasileiro continuará buscando uma solução por meio da negociação, ao mesmo tempo em que trabalha para ampliar mercados e diversificar as exportações brasileiras.
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