Após quatro meses de suspensão, a expectativa é de fortalecimento do setor e do turismo regional
Depois de quase quatro meses de proibição da pesca devido à piracema, período que vai de 5 de novembro a 28 de fevereiro deste ano, os rios de Mato Grosso do Sul voltaram a receber pescadores amadores, esportivos e profissionais a partir de 1º de março. Com a liberação, o comércio especializado em artigos de pesca, que tradicionalmente sente o impacto da queda nas vendas durante o defeso.
Com o fim do defeso e a reabertura das atividades nos rios das bacias do Paraná e do Paraguai, lojistas do segmento pesqueiro relatam aumento significativo na procura por equipamentos como varas, carretilhas, molinetes, iscas artificiais e naturais, linhas e anzóis.
Valfredo Benitez, funcionário da loja Ame Pesca, ativa há mais de 15 anos no mercado, afirma que o movimento começa a crescer ainda nos últimos dias do período de restrição.
“Durante a piracema, a procura diminui bastante. Mas é só o fim se aproximar que os clientes já começam a vir atrás de equipamentos. Depois que a pesca é liberada, a demanda aumenta muito. Cresce bastante a procura por varas, molinetes, iscas, anzóis, linhas, todo o material de pesca em geral”, detalha.
Segundo ele, durante o período de proibição, o público que mantém parte das vendas é formado principalmente por frequentadores de pesqueiros particulares, conhecidos como “pesque e pague”, além de consumidores que buscam artigos de camping.
“No período em que a pesca está fechada, a demanda cai bastante. O que ajuda a manter a loja são os itens para camping e os pesqueiros aqui de Campo Grande”,relata.
Preparação de estoque
Para Eliene Vilela Rodrigues, proprietário da Isca do Pescador e atuante no mercado há 17 anos, a procura por iscas vivas praticamente dobra após o fim da piracema
“A procura aumenta praticamente o dobro. Durante o período fechado fica mais fraco, mas agora, com o fim da piracema, começa a melhorar bastante para a gente. A maior procura é por iscas vivas”, destaca.
Entre as iscas mais procuradas estão lambari, tuvira e cará, cujos preços variam, em média, entre R$ 15 e R$ 20 a unidade, dependendo do tamanho e da oferta. Com a alta demanda, o comerciante reforça o abastecimento dos tanques semanalmente para atender os clientes.
“Hoje mesmo já chega um carregamento de tuvira, que é uma das que mais saem. Como a piracema está acabando, a gente sempre deixa os tanques cheios para atender a clientela”, explica.
Além de impulsionar o comércio de artigos de pesca, o fim da piracema também movimenta a economia em municípios tradicionais na atividade, como Corumbá, Coxim, Miranda e Aquidauana, onde a pesca esportiva é um dos principais atrativos turísticos. A expectativa do setor é que a nova temporada traga reflexos positivos para pousadas, guias de pesca, restaurantes e demais serviços ligados ao turismo regional.
A piracema é considerada fundamental para a preservação dos estoques naturais. Durante esse período, espécies nativas como dourado, pintado, pacu e jaú migram contra a correnteza para desovar, garantindo a reposição das populações nos rios. Por isso, a pesca é interditada como forma de proteger o ciclo reprodutivo e assegurar a sustentabilidade da atividade no Estado.
Por Ian Netto
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