Falta de milho especial interrompe produção de pipocas gourmet em Campo Grande

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Escassez do milho tipo mushroom no mercado obriga empresa Sul-mato-grossense a suspender temporariamente a fabricação de produtos e preocupa setor especializado

A escassez de matéria-prima tem afetado diretamente pequenos negócios do setor alimentício em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, a Pipokitas, empresa especializada na produção de pipocas gourmet, precisou suspender temporariamente parte de sua produção devido à dificuldade para encontrar no mercado o milho do tipo mushroom, variedade essencial para a fabricação dos produtos comercializados pela marca.

Conhecido pelo formato mais arredondado após a expansão durante o preparo, o milho mushroom é amplamente utilizado na produção de pipocas gourmet por oferecer maior resistência às coberturas de chocolate, caramelo e outros ingredientes. A variedade é considerada padrão no segmento por proporcionar melhor apresentação visual e uniformidade ao produto final.

Segundo a empresa, a falta do insumo tem dificultado a continuidade das atividades e impactado diretamente o atendimento aos clientes. Sem previsão concreta de normalização do abastecimento, a produção foi interrompida até que novos fornecedores consigam atender à demanda.

De acordo com a proprietária da Pipokita, Raphaella Almeida, a empresa depende de uma distribuidora de São Paulo que abastece diversas fabricantes de pipoca gourmet em todo o país. Nos últimos meses, porém, fatores climáticos afetaram significativamente a produção do milho mushroom, reduzindo a oferta no mercado e dificultando o abastecimento. “O milho mushroom é nossa principal matéria-prima. Nos últimos meses, as condições climáticas afetaram significativamente sua produção, reduzindo a oferta no mercado e dificultando o abastecimento”, explica.

Segundo a empresária, a interrupção da produção impacta diretamente o faturamento da empresa, uma vez que o insumo é essencial para a fabricação das pipocas gourmet. “O impacto é direto no faturamento. Como o milho mushroom é a matéria-prima principal, a dificuldade de abastecimento limita nossa capacidade de produção e, consequentemente, de vendas. Mesmo com a redução das atividades, continuamos tendo custos fixos para manter tudo funcionando”, afirma.

A empreendedora destaca que, além do milho especial, a produção envolve uma série de outros custos operacionais, como chocolates, açúcares, ingredientes especiais, embalagens, etiquetas, gás, energia elétrica e mão de obra. Segundo ela, a manutenção desses gastos torna o período ainda mais desafiador para uma pequena empresa.

É o mesmo milho de pipoca?

O jornal O Estado consultou especialistas do setor, que destacam que o milho mushroom possui uma cadeia de fornecimento mais restrita em comparação ao milho convencional utilizado para pipoca. Grande parte da produção é destinada a indústrias especializadas e distribuidores específicos, tornando o mercado mais sensível a oscilações de oferta, problemas climáticos e dificuldades logísticas.

Apesar da escassez, a Pipokita optou por não substituir o milho mushroom por outras variedades disponíveis no mercado. A decisão foi tomada para preservar a qualidade dos produtos oferecidos aos clientes. “Estamos acompanhando o mercado de perto e buscando alternativas junto aos fornecedores para garantir o abastecimento. Porém, optamos por não substituir o milho mushroom por outras variedades que possam comprometer a qualidade do produto final. Nossa prioridade é manter o padrão que os clientes da Pipokita já conhecem e confiam”, ressalta.

A empresária destaca ainda que o problema não afeta apenas a empresa Campo-grandense, mas todo o segmento de pipocas gourmet que depende desse tipo específico de milho. “A escassez do milho mushroom é um problema que afeta não apenas a Pipokita, mas diversas empresas que dependem dessa matéria-prima. Como pequena empresa, sentimos os reflexos dessa situação de forma muito direta, mas seguimos trabalhando para superar esse momento e retomar a produção normal o mais breve possível”, conclui.

A suspensão ocorre em um momento de crescimento do mercado de produtos artesanais e personalizados, no qual as pipocas gourmet ganharam espaço em festas juninas.

Além dos prejuízos relacionados à redução das vendas, a falta da matéria-prima gera incertezas sobre prazos de entrega e planejamento da produção. Empresas que atuam em nichos específicos costumam ter menos alternativas de substituição de insumos, uma vez que mudanças na matéria-prima podem comprometer a qualidade e as características do produto final.

Por Ian Netto

 

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