Em ascensão, MS tem potencial de produzir 7 milhões de metros cúbicos de biogás por dia

Secretário da Semadesc, Jaime Verruk e o presidente da Fiems, Sérgio Longen - Foto: Roberta Martins
Secretário da Semadesc, Jaime Verruk e o presidente da Fiems, Sérgio Longen - Foto: Roberta Martins

Na sede da Fiems, o evento debateu temas como políticas públicas, incentivos financeiros e infraestrutura.

Pela primeira vez, a quarta edição do Circuito Biogás nos Estados foi realizada em Campo Grande, capital sul-mato-grossense. Dois motivos trouxeram o evento para cá desta vez: o Estado tem grande potencial de produção de biogás e biometano. Em entrevista ao O Estado, a presidente da ABiogás (Associação Brasileira do Biogás), Renata Isfer, destacou a capacidade de Mato Grosso do Sul na produção de energia renovável.

“Fizemos questão de trazer o Circuito Biogás para Mato Grosso do Sul porque, de um lado, é um Estado com grande potencial de produção de biogás e biometano, que precisa dar essa ‘decolada’, sentar e pensar nos caminhos para chegar lá. Hoje temos uma planta de 8 mil metros cúbicos que já está instalada, mas o potencial do Estado é de 7 milhões de metros cúbicos por dia, ou seja, muito maior.”

“MS é um Estado com grande potencial de produção de biogás e biometano, que precisa dar essa decolada “, Renata Isfer, presidente da ABiogás – Foto: Roberta Martins

Ainda segundo a presidente da ABiogás, Mato Grosso do Sul tem a estimativa de uma nova planta, que já está em processo de autorização pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), para ampliar em mais 100 mil metros cúbicos. “Do outro lado, temos o poder público engajado e preocupado em trazer esse benefício para o cidadão, pois é um gás renovável, que vai complementar o acesso ao gás e descarbonizar o mercado de frota de caminhões pesados. Para trocar um caminhão a diesel por um a biometano, você descarboniza praticamente 100% sem precisar gastar mais com isso.”

Com o objetivo de impulsionar o setor de bioenergia no Estado, esta edição contou com a parceria do Governo de MS, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). “O biogás e o biometano, extraídos da vinhaça nas usinas de cana-de-açúcar ou do tratamento de dejetos da suinocultura e da bovinocultura, são o nosso principal potencial de combustível renovável. A utilização dessa matriz energética já é realidade em veículos de transporte de carga”, avaliou o secretário Jaime Verruck.

A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente da FIEMS (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), Sérgio Longen, e o presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Amaury Pekelman.

Produção

A produção de biometano tem se destacado no Estado, com três plantas em operação e uma quarta, com investimento de R$ 350 milhões, já licenciada. Em 2024, o governo estadual reduziu a carga tributária do biometano para 12%, com crédito outorgado de até 90%, incentivando ainda mais o setor.

Para a presidente da MSGás, Cristiane Junqueira, sediar um evento como este tem importância ímpar, pois é a oportunidade de debater temas de grande relevância para o setor, como incentivos fiscais, infraestrutura, logística, e elaborar, juntos, estratégias para a transição energética no Estado.

“Onde estão as plantas de biogás hoje? Estão, basicamente, no sul e no centro-oeste do país. Então, nosso Estado é privilegiado, estamos começando agora nesse mercado. Ter esse seminário aqui é um dos mais importantes, porque vamos começar a juntar a indústria, o agro, identificar os aterros nas cidades, os resíduos sólidos urbanos e outras produções que também são fontes de biogás, que podem se converter em biometano”, ressaltou.

Cristiane ainda reforçou que, com a reunião de todos os players no mesmo lugar, cresce a probabilidade de haver mais produtores e mais demandantes. “E onde entra a MSGás? Ela tem o transporte. O transporte mais barato para o biometano será pelas nossas redes, porque as nossas redes, hoje, são de gás natural. Mas a molécula é igual à do biometano, é CH4. Então, queremos fazer parte dessa transição energética.”

 

Por Suzi Jarde

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