Da cozinha de casa, empreendedora sonha com negócio próprio

FOTO: ROBERTA MARTINS
FOTO: ROBERTA MARTINS

Há nove anos na confeitaria, Fabiana inspira outras mulheres no ramo

O quintal de uma residência comum em Campo Grande abriga hoje mais do que o aroma de massa assada, ele é o canteiro de obras de um sonho empreendedor que ganha forma a cada “Festival de Fatias”. Idealizado por Fabiana Rodrigues, o evento tornou-se a principal ferramenta de capitalização para a construção de sua confeitaria física. Iniciado em fevereiro deste ano, o festival permitiu que a empreendedora avançasse para a fase de acabamento de sua sede própria.

A trajetória de Fabi, como é conhecida na confeitaria começou há nove anos, partindo do absoluto zero. Antes de dominar os fornos, sua rotina era dedicada às vendas de planos funerários. A transição de carreira não foi motivada por um hobby antigo, mas pela urgência da sobrevivência e pelo desejo de estar presente na criação dos quatro filhos. “Veio realmente pela necessidade. Eu queria trabalhar para estar perto dos meus filhos e não tinha com quem deixá-los”, relembra a confeiteira.

Hoje, a operação é um legítimo negócio familiar. O esposo, Eric, e os quatro filhos, formam a equipe que coloca a “mão na massa”. Sem funcionários externos, a família coordena desde a produção até o atendimento no festival. Essa união é o pilar que sustenta o crescimento da marca no Estado, permitindo que Fabiana dedique tempo também à sua nova vertente: a de educadora.

O “Festival de Fatias” surgiu como uma sacada estratégica de mercado. Fabiana percebeu que a venda de bolos inteiros limitava o alcance do público devido ao valor e ao tamanho. Ao fracionar o produto, ela democratizou o acesso à sua produção. “É uma forma de a pessoa não somente adquirir um bolo inteiro, mas poder degustar uma fatia. Antes, para provar, era preciso comprar um bolo grandão; agora a adesão é muito maior”, explica.

Apoio da redes sociais

O sucesso comercial de Fabiana está intrinsecamente ligado ao domínio das ferramentas digitais. Com forte presença no TikTok, Kwai e Instagram, ela estima que as redes sociais impactam 90% do seu faturamento. O conteúdo postado não apenas vende bolos, mas humaniza o processo de construção da loja física. Muitos clientes visitam o local motivados pelo desejo de apoiar o progresso da obra.

Essa exposição orgânica transformou Fabi em uma referência para outras mulheres que buscam o empreendedorismo. Ao compartilhar dicas e técnicas nos vídeos, ela passou a ser requisitada para ensinar formalmente. Hoje, além de produzir, ela atua como professora de confeitaria com cursos online, consolidando-se como fonte de inspiração para quem deseja iniciar um negócio próprio.

Apesar dos desafios futuros, como uma cirurgia programada que a afastará temporariamente das atividades, o perfil resiliente de Fabiana permanece inabalado. O que nasceu de uma oração por trabalho próprio transformou-se em uma paixão que move toda a família. Para os clientes, cada fatia consumida tem um significado maior: representa um “tijolinho” ou um saco de cimento na estrutura que logo será inaugurada.

Por Enzo Pereira

 

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