Crise na educação: inadimplência chega a 30% em escolas particulares de Mato Grosso do Sul

Imagem ilustrativa - Foto: Milkos
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Sindicato diz que atrasos nas mensalidades cresceram neste ano e atribui alta às dificuldades financeiras das famílias

A inadimplência nas escolas particulares de Mato Grosso do Sul aumentou neste ano e, em algumas instituições, já chega a 30%. A avaliação é do presidente do Sinepe-MS (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Mato Grosso do Sul), Audie Andrade Salgueiro, em entrevista ao O Estado.

“Temos uma estimativa que gira entre 5% e 20%, porém neste ano esses índices foram puxados para cima devido à dificuldade econômica que as famílias enfrentaram diante do cenário econômico nacional. Existem instituições que estão chegando a 30% de inadimplência, o que está preocupando muito o setor”.

Nem todas as instituições, no entanto, enfrentam a mesma realidade. O Colégio Vida e Luz informou que a inadimplência diminuiu em relação ao ano passado. Segundo a coordenadora Camyla Diogo, “este ano está bem mais tranquilo”.

De acordo com ela, a melhora coincide com a saída das famílias que tinham débitos e a chegada de novos alunos com os pagamentos em dia. “Os que deviam saíram sem pagar mesmo, e os que chegaram são compromissados”, afirma.

Camyla também diz que a escola mudou a forma de administrar a área financeira. “Hoje temos um setor apenas para o financeiro e um contrato de prestação de serviços”, explica. Em 2025, a instituição havia informado à reportagem que convivia com apenas uma família em atraso, considerada um caso recorrente.

Reflexos no caixa

O aumento da inadimplência ocorre em um período importante para as escolas, quando começam a ser definidos investimentos, contratações e parte do orçamento do ano seguinte. Com menos recursos entrando no caixa, a administração financeira exige mais cautela.

Segundo Salgueiro, as instituições que registram os maiores índices de inadimplência já precisaram rever despesas. O sindicato afirma, porém, que esse movimento não tem provocado reajustes nas mensalidades, mas sim uma revisão dos custos internos.

O cenário acompanha o endividamento das famílias brasileiras. Dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), mostram que, em abril deste ano, 80,9% dos lares tinham algum tipo de dívida e 29,7% estavam com contas em atraso.

Negociação é a principal alternativa

Sem conseguir identificar um perfil predominante entre os responsáveis inadimplentes ou uma etapa de ensino mais afetada, as escolas têm concentrado esforços na negociação dos débitos.

Segundo o Sinepe-MS, esse continua sendo o caminho mais eficiente para recuperar os valores em atraso. A entidade também informa que ainda não há um levantamento capaz de apontar se o problema está concentrado em determinado perfil de escola ou segmento da educação básica.

Diferença de preços

O peso das mensalidades no orçamento das famílias varia bastante entre as instituições de ensino. Levantamento do Procon/MS, realizado em 20 escolas particulares de Campo Grande, identificou diferenças superiores a 200% em algumas modalidades.

No ensino fundamental, por exemplo, as mensalidades do período matutino variam entre R$ 820 e R$ 2.598,70, conforme a escola e a série.

Por Djeneffer Cordoba

 

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