Com a alta do gás, forno a lenha se tornou opção viável aos campo-grandenses

Foto: Reprodução/Idec
Foto: Reprodução/Idec

Em setembro de 2019, a Petrobras anunciou que o preço do gás de cozinha seria ajustado conforme o PPI (Preço de Paridade de Importação). Desde então, o custo do botijão para o consumidor registrou um aumento de 64% em três anos, ou seja, R$ 45,00 a mais. Essa alta tem gerado forte impacto no orçamento das famílias brasileiras que acabam recorrendo a métodos alternativos como o fogão e forno a lenha.

Dados divulgados no último levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), apontam que em Mato Grosso do Sul, o preço do gás varia entre R$ 95,00 a R$ 130,00.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para a auxiliar de manutenção, Maria Aparecida de Aguiar, 48, investir em um fogão a lenha foi a melhor opção para fugir do alto custo do gás de cozinha. Entre março de 2020 a abril deste ano, o gás sofreu 17 aumentos consecutivos.

“Decidi usar o fogão a lenha porque é mais econômico, o botijão de gás tá um absurdo de caro da última vez que comprei paguei 115 reais”, destacou.

No início deste mês, a Petrobras anunciou um aumento de 5,1% no gás de cozinha e o reajuste passou a valer no dia 3 de maio.

Maria mora com o marido e dois filhos, e explica que antes, um botijão de gás durava cerca de 15 dias, o que gerava um gasto mensal de aproximadamente R$ 230,00, cerca de 20% de um salário mínimo (R$ 1.212,00).

“Gerou muita economia e mudou minha rotina, agora minha comida fica mais saborosa, faço bolos, doces, pão, fica tudo maravilhoso”, ressalta.

Um fogão como o utilizado por Maria Aparecida custa em torno de R$ 1.500,00, mesmo com o alto custo ela afirma que o investimento vale a pena.

“Nós somos pobres e ganhamos pouco para pagar tão caro no preço do gás e dos alimentos, por isso o fogão é um bom investimento, não gasto com lenha porque onde acho um pedaço de pau eu trago pra casa e uso”, explicou.

Riscos à Saúde

Apesar de parecer uma alternativa viável, o forno a lenha pode trazer riscos à saúde. Além disso, o custo elevado do item faz com que a população opte por versões mais simples e baratas, que não oferecem a segurança adequada.

Diferente do modelo usado por Maria que possui um sistema que inibe a fumaça, algumas versões antigas e mais simples podem gerar graves problemas respiratórios.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), indicam que cerca de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo utilizam combustíveis sólidos como a madeira, carvão vegetal e resíduos orgânicos para atividades básicas como cozinhar alimentos.

No Brasil, a prática é comum principalmente nas regioẽs do Nordeste e áreas rurais do país.

A facilidade em obter combustíveis, principalmente a lenha, além da fama de atribuir melhor sabor à comida e aquecer as casas durante o frio torna o uso ainda mais atrativo.

Contudo, a fumaça liberada pelos fogões e fornos podem ocasionar doenças respiratórias, visto que as formas de cozimento enchem os espaços sem ventilação das casas, provocando pneumonia e doença pulmonar crônica, afetando principalmente mulheres e crianças, que passam mais tempo dentro de casa.

O uso do forno a lenha também propicia incêndios. Em fevereiro deste ano, uma residência foi destruída pelo fogo, após o proprietário deixar a lenha acesa, no Jardim Centro-Oeste, em Campo Grande.

O homem havia saído para trabalhar e acabou esquecendo algumas madeiras com faíscas no fogão, que com o calor começou a queimar e subiu para o teto da casa. Os vizinhos viram o fogo e se organizaram para contê-lo e com ajuda da população, apagaram o fogo. Apesar das perdas materiais, não houve feridos.

 

 

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