Após seis dias do temporal, prejuízo estimado no comércio de Campo Grande é de R$ 25 milhões

Deyvison e esposa calcula que perderam cerca de 35 mil só em mercadorias
- FOTO: NILSON FIGUEIREDO
Deyvison e esposa calcula que perderam cerca de 35 mil só em mercadorias - FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Empresários relatam perda de estoques, dias sem atendimento e dificuldade para retomar atividades

O temporal da última quinta-feira (10) deixou um prejuízo estimado em mais de R$ 25 milhões para o comércio e o setor de serviços de Campo Grande, segundo levantamento inicial da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande). A estimativa considera danos estruturais, perda de estoques, equipamentos e, principalmente, o período em que empresas ficaram sem conseguir funcionar.

Na Rua Rachid Neder, os empresários Ana Carolina e Deyvison Melchiades ainda tentavam reabrir, na segunda-feira, os dois estabelecimentos que mantêm há quatro anos. Sem energia até sábado, o casal perdeu boa parte dos produtos congelados utilizados na produção e estima um prejuízo de pelo menos R$ 30 mil a R$ 35 mil somente com mercadorias.

“Uma média de, por baixo, uns R$ 30, R$ 35 mil. Sem contar que a gente está desde quinta sem abrir”, relatou Deyvison. Parte dos produtos foi levada para um estabelecimento de um colega, na tentativa de preservar o que ainda pudesse ser aproveitado.

Durante o período sem energia, o casal também precisou interromper a produção. Na segunda-feira, funcionários foram chamados mais cedo para tentar colocar os estabelecimentos novamente em funcionamento.

“Agora a gente vai começar do zero de novo. Comprar todas as coisas. A gente perdeu todas as comidas que a gente trabalha com congelado e a produção toda”, contou o empresário.

Segundo Ana Carolina e Deyvison, esta é a segunda vez que os estabelecimentos enfrentam problemas semelhantes. Em um temporal anterior, ficaram dois dias sem energia e tiveram ainda prejuízo com o motor da câmara fria. Na ocasião, conseguiram parte do ressarcimento pelos danos.

Desta vez, o casal afirma que tentou contato com a concessionária por diferentes canais. Segundo eles, chegaram a abrir uma ocorrência, mas tiveram dificuldade para conseguir atendimento e registrar novas solicitações enquanto o chamado permanecia em aberto.

Mais de 380 empresários procuraram a CDL

A estimativa de prejuízo superior a R$ 25 milhões foi apresentada pelo presidente da CDL, Adelaido Figueiredo. Segundo ele, a conta considera os danos estruturais provocados pelo temporal, como destelhamentos e quedas de árvores sobre fachadas, mas principalmente o chamado lucro cessante, referente ao período em que as empresas ficaram sem faturar.

“Esse cálculo considera os danos estruturais com destelhamento e quedas de árvores sobre fachadas, mas a maior parte dessa conta vem do lucro cessante provocado pelo apagão prolongado”, afirmou.

A entidade também registrou mais de 380 empresários que entraram em contato entre sexta-feira e domingo relatando interrupção no fornecimento de energia e risco de perda de mercadorias.

De acordo com Adelaido, entre os problemas relatados estão a perda de estoques refrigerados em supermercados, açougues, panificadoras e restaurantes, além de equipamentos queimados e gastos com geradores.

A CDL informou que reuniu os números das UCs (Unidades Consumidoras) dos estabelecimentos afetados e repassou as informações à empresa responsável pelo fornecimento de energia para solicitar prioridade no atendimento.

“Nós mantemos uma relação institucional sólida e de longa data com a Energisa. Usamos esse canal direto para fazer uma força-tarefa: coletamos as Unidades Consumidoras dessas quase 400 empresas atingidas e repassamos em tempo real para o comando de operações da concessionária”, disse o presidente.

Segundo ele, o objetivo foi priorizar estabelecimentos comerciais e de serviços afetados pela interrupção. Adelaido avaliou que, diante da extensão dos danos provocados pelo temporal, a concessionária tem atendido as solicitações encaminhadas pela entidade.

Por Djeneffer Cordoba

 

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