Apesar da safra recorde, café segue caro para o consumidor em Campo Grande

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

Com um crescimento estimado em 17,1% em relação a última safra o excedente deve ser direcionado para o mercado externo

 

A produção brasileira de café beneficiado pode atingir um recorde histórico em 2026, com crescimento estimado de 17,1%, segundo projeção divulgada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A estimativa aponta para 66,2 milhões de sacas beneficiadas, superando o volume do ciclo anterior e marcando a maior safra da série histórica da entidade.

Apesar do aumento significativo da produção, especialistas avaliam que os consumidores não devem sentir grandes mudanças no preço final do café no varejo. Conforme pesquisa de preço, do jornal O Estado, divulgada ontem (7), o preço míni,mo encontrado para o produto foi de R$ 28,90 e o máximo chegou a custar R$29,99.

De acordo com a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), o preço deve permanecer elevado porque, mesmo com a expectativa de maior oferta, os estoques mundiais do grão estão em níveis baixos. Assim, parte relevante da produção adicional tende a ser usada para recompor essas reservas. Além disso, mais de 60% do café produzido no Brasil é destinado à exportação, o que reduz o impacto da safra recorde sobre os preços no mercado interno.

Para o economista Eduardo Matos, no entanto, os ganhos de produtividade observados na safra atual estão concentrados, sobretudo, nas variedades de café voltadas à exportação, o que limita os efeitos sobre o mercado interno. “Os ganhos de produtividade se dão principalmente no café do tipo exportação. Para o consumo interno, isso acaba não tendo tanto efeito”, explica.

O economista destaca ainda que o cenário internacional contribui para a manutenção dos preços elevados. Segundo ele, crises climáticas em grandes produtores asiáticos, como Vietnã e países vizinhos, afetaram severamente os cafezais e exigem replantio, um processo que demanda anos até a recuperação plena da produção. “A primeira colheita desses novos plantios, muitas vezes, é praticamente descartada por questões de tamanho e qualidade dos grãos”, afirma.

Com isso, o Brasil passou a ocupar uma posição quase exclusiva como fornecedor global de café. Nesse contexto, os produtores tendem a priorizar o mercado externo, que apresenta maior remuneração. “Os produtores só vendem no mercado interno a partir de um determinado preço, que seja igual ou superior ao obtido no mercado internacional”, conclui.

Arábica e Conilon

Com relação à produção de café arábica, a colheita estimada é de 44,1 milhões de sacas – aumento de 23,3% na comparação com o ciclo 2025.

“Essa elevação é atribuída ao crescimento de área em produção, às condições climáticas mais favoráveis e à bienalidade positiva”, detalhou a companhia.

A expectativa é também de aumento na colheita do café tipo conilon. A safra estimada é de 22,1 milhões de sacas, o que representa alta de 6,4% na comparação com a produção obtida em 2025.

De acordo com a Conab, se confirmada essa projeção, será estabelecido novo recorde, motivado pelo crescimento da área em produção e das condições climáticas mais favoráveis até o momento.

Projeção

Segundo o 1º Levantamento da Safra de Café de 2026, a produção deve alcançar 66,2 milhões de sacas beneficiadas, superando o ciclo de 2025. “Se confirmado o resultado, este será um novo recorde na série histórica da Companhia, ultrapassando a safra de 2020, quando foram colhidas 63,1 milhões de sacas”, informou a Conab.
O crescimento é explicado, entre outros fatores, pela ampliação da área plantada, que deve avançar 4,1% em relação ao ano passado, totalizando cerca de 1,9 milhão de hectares. A Conab projeta ainda aumento de 12,4% na produtividade, com rendimento médio estimado em 34,2 sacas por hectare, impulsionado por condições climáticas mais favoráveis e pela adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras.

 

Por Ana Krasnievicz 

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