Alta no preço do ‘prato feito’ muda hábitos de trabalhadores em Campo Grande

Foto: elaboração O Estado
Foto: elaboração O Estado

Levantamento aponta alta de 7,2% na refeição; Levar marmitas se tornou uma opção mais rentável

“Com o valor do meu ticket eu consigo fazer a compra do mês.” A decisão da atendente Andreia Lima de trocar o restaurante pela marmita preparada em casa tem sido cada vez mais comum entre trabalhadores de Campo Grande. O motivo é o aumento no preço do tradicional prato feito, que ficou 7,2% mais caro no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do IPF (Índice Prato Feito).

Mesmo recebendo vale-alimentação, Andreia afirma que prefere utilizar o benefício nas compras do supermercado. “Consigo fazer as compras do mês, deixar comida em casa e ainda me alimentar de forma mais saudável”, conta.

O levantamento aponta que o preço médio do prato feito chegou a R$ 31,90 em junho, acumulando alta de 7,2% desde janeiro e de 5,4% em relação a março.

Na prática, o aumento pesa diretamente no orçamento dos trabalhadores que dependem de restaurantes durante a jornada de trabalho. Considerando uma média de 20 dias úteis por mês, o gasto apenas com o almoço chega a R$ 638, sem incluir bebidas ou sobremesas.

O levantamento foi elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da FAC-SP (Faculdade do Comércio de São Paulo) e analisou 887 preços coletados em restaurantes e aplicativos de entrega nas cinco regiões brasileiras. O índice considera um prato composto por arroz, feijão, proteína, salada e guarnição.

Os dados mostram diferenças significativas entre as regiões do país. O Sul registrou o maior preço médio do prato feito, de R$ 34,90, seguido pelo Centro-Oeste, onde a refeição custa, em média, R$ 34,45. No outro extremo aparecem o Nordeste, com média de R$ 30, e o Norte, com R$ 29,99. A diferença entre a região mais cara e a mais barata chega a 16,4%.

Segundo os pesquisadores, fatores como custos com aluguel de imóveis comerciais, logística, mão de obra, transporte e perfil de consumo ajudam a explicar as diferenças regionais nos preços.

Em Campo Grande, o aumento já mudou a rotina de muitos trabalhadores. Enquanto alguns, como Andreia, passaram a levar comida de casa para reduzir despesas, outros ainda dependem dos restaurantes pela praticidade.

Comida caseira

É o caso do vendedor Braion Carlos, que trabalha na região central da Capital. Segundo ele, preparar as refeições diariamente nem sempre é possível. “Trazer comida de casa todos os dias é complicado. A gente chega tarde, ainda precisa cozinhar. Tem dias em que acabo escolhendo o prato feito pela praticidade, mesmo pagando caro”, relata.

Há mais de dois anos trabalhando no Centro, Braion afirma que percebeu uma mudança significativa nos preços. “Há cerca de dois anos a gente pagava entre R$ 15 e R$ 20 em um prato feito. Hoje, em alguns lugares, já passa de R$ 25 ou R$ 30. É uma diferença muito grande”, compara.

O aumento do prato feito reflete não apenas a alta dos alimentos, mas também o encarecimento da operação dos restaurantes. Entre os fatores apontados estão o aumento dos custos com mão de obra, combustíveis e despesas operacionais.

No primeiro semestre, produtos importantes para a composição da refeição também registraram aumento nos indicadores oficiais de inflação. Os tubérculos, raízes e legumes acumularam alta de 67,71%, enquanto o feijão-carioca subiu 52,82%. As carnes também ficaram mais caras no período, embora o arroz tenha apresentado leve queda de preço.

Por Ian Netto

 

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