Segundo o Sindigraf-MS, a expectativa é de que a procura por materiais impressos seja maior que em 2024.
A proximidade das eleições de 2026 já começa a alterar a rotina de empresas do setor gráfico em Mato Grosso do Sul. Com o início da propaganda eleitoral previsto para 16 de agosto, gráficas que trabalham com materiais de campanha se preparam para um período de maior concentração de pedidos e produção. Segundo o Sindigraf-MS (Sindicato das Indústrias Gráficas de Mato Grosso do Sul), a expectativa é de que a procura por materiais impressos seja 15% a 20% maior que nas eleições municipais de 2024.
Para o presidente do Sindigraf-MS, Julião Gaúna, o aumento da procura também tem reflexo nas cotações de trabalhos. Segundo ele, os valores devem apresentar uma elevação de 10% a 15% durante o período eleitoral.
O aumento da movimentação começa a aparecer nas próprias gráficas. Na Eckograf, a procura por materiais eleitorais já começou. Jefferson Reis, diretor da empresa, afirma que o período de campanha concentra um volume significativo de trabalho. “A cada ano, a nossa gráfica vem cada vez mais captando novos candidatos. Nessa época, 50 dias equivale ao que a gente trabalha em dois anos”.
Entre os produtos solicitados pelas campanhas estão santinhos, perfurados, adesivos, banners, folders e bottoms. Segundo Reis, os seis produtos estão entre os principais materiais utilizados pelos candidatos. “Sempre, todos os candidatos, usam um kit com os seis itens”.
Na Gráfica Progresso, o movimento ainda está em uma fase inicial. Segundo Rodrigo Quirino, sócio da empresa, os candidatos ainda estão finalizando arquivos e conferindo informações das campanhas, como o CNPJ. Apesar de a empresa ter recebido diversas cotações nesta semana, a produção ainda é pequena. “O movimento mesmo da campanha deve começar mais na semana que vem”.
A preparação para esse período, no entanto, começou antes. Na Progresso, o planejamento foi iniciado no começo do ano e a empresa estima precisar de cerca de 30% mais funcionários durante a temporada eleitoral. “A gente normalmente já tem uma noção, então, nos preparamos durante o ano. Viemos formando uma equipe, porque a gente sabe que o segundo semestre é mais aquecido”.
Além da quantidade de profissionais, o calendário eleitoral também influencia o tipo de material produzido. Para Quirino, a disputa nacional amplia o número de cargos envolvidos em comparação com as eleições municipais de 2024. “Por ser campanha presidencial, tem mais cargos envolvidos, é uma campanha maior”.
A característica regional da disputa também pode beneficiar as gráficas sul-mato-grossenses. Segundo Rodrigo, a presença de candidatos do próprio Estado pode favorecer o mercado local, já que parte das campanhas acaba recorrendo a empresas da região. “O fato de ser uma campanha mais regional, facilita por um lado, porque você tem candidatos que têm uma demora e acabam beneficiando um pouco mais o mercado local.”
Entre os produtos que ganharam espaço nas campanhas estão os adesivos perfurados para veículos, utilizados pelas empresas há cerca de três eleições, além dos adesivos de para-choque. Para este ano, a Progresso também espera uma maior procura por folders elaborados, principalmente entre candidatos aos cargos de deputado estadual, deputado federal e senador. “É um material mais caro, não é simplesmente um folhetinho, frente e verso”, explica.
Corrida pelo prazo
Outro desafio para as gráficas é o curto prazo para atender aos pedidos. De acordo com Quirino, as campanhas costumam definir estratégias e materiais em cima da hora, o que reduz o tempo disponível para produção. “Na política é sempre de última hora, porque eles decidem fazer uma estratégia, bolam o material ou, então, fazem uma reunião com o pessoal do interior que vem participar em Campo Grande e aproveitam essa reunião para distribuir o material. Então, normalmente, um serviço que demoraria três, quatro, cinco dias, para fazer, a gente acaba tendo que fazer em um ou dois”.
Apesar do avanço das campanhas nas redes sociais, a mídia impressa continua sendo procurada pelos candidatos. Para Julião Gaúna, a rapidez da comunicação digital fez com que parte dos eleitores sentisse falta de ter novamente um material físico para consultar e conhecer melhor os candidatos, incluindo informações sobre quem são e o que fazem. Segundo ele, essa percepção já havia aparecido nas eleições de 2024 e se tornou ainda mais evidente para 2026.
A percepção também aparece em dados nacionais da ABIGRAF (Associação Brasileira da Indústria Gráfica). Em levantamento sobre as eleições de 2024, 55,2% das gráficas participantes afirmaram ter percebido aumento na preferência dos políticos pelas plataformas digitais. Apesar disso, 84,5% consideraram os materiais impressos igualmente ou mais confiáveis para os eleitores.
O mesmo levantamento apontou que as empresas que produziram materiais impressos de campanha tiveram aumento de 20% no faturamento durante as eleições municipais de 2024 em comparação com períodos normais. Para 2026, o Sindigraf-MS estima que o cenário em Mato Grosso do Sul seja ainda mais movimentado, com a procura por materiais impressos entre 15% e 20% acima da registrada em 2024.
Com a campanha eleitoral prestes a começar oficialmente, as gráficas de Mato Grosso do Sul entram no período de maior concentração de pedidos. O impacto final sobre o faturamento e a produção, porém, dependerá do volume de encomendas registrado ao longo das próximas semanas.
Por Nayane Aleixo
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