Prefeito afirma que prédio não será ‘pombal’ no Centro

Após anunciar que busca investimentos para transformar o Hotel Campo Grande em moradias populares, o prefeito da Capital, Marquinhos Trad, foi alvo de diversas críticas daqueles que duvidam do planejamento, que espera levar famílias da faixa 1 do “Minha Casa Minha Vida” ao Centro. Durante entrega de obras de pavimentação no Jardim Botafogo, ontem (21), Trad rebateu as críticas. “Aquilo não vai virar um pombal como as pessoas colocaram, com um varal de roupas esticada no centro da nossa cidade. Ali vai ser moradia de seres humanos dignos”, afirmou. A expectativa do município é de que o prédio abrigue pelo menos mil pessoas nas 220 unidades.

A ideia de reapropriar o hotel e valorizar o centro do município surgiu durante o sorteio das unidades habitacionais realizadas na Cidade do Natal. “A alegria dos sorteados era contagiante em ver seus nomes divulgados. Pensando na necessidade dessas pessoas, procurei em Brasília um projeto que pudesse agregar hotéis e templos abandonados”, contou, ressaltando a inspiração para a medida na Capital. “E não é que eu encontrei um projeto específico e idêntico lá no Ministério de Desenvolvimento Regional, chamado ‘Retrofit’, que determina que todo os hotéis abandonados com mais de dez anos em centros das cidades poderão ser beneficiados, se caso apresentar todos os seus projetos técnicos de sua cidade. Bom, eu fiz isso para que aquilo se tornasse unidade habitacional”, detalhou.

Tendo seus anos de glória na década de 70, o Hotel Campo Grande pode ser o primeiro de diversos prédios que se encontram abandonados no centro da cidade. “O antigo Hotel Campo Grande, que fica no centro da Capital, foi referência e palco de muitos eventos luxuosos na década de 70 e está fechado há mais de 20 anos”, explicou Marquinhos. Segundo o prefeito, a estrutura não tem condições para investimentos. Só de reformas, os custos devem chegar a R$ 35 milhões, além do valor de impostos devidos nos âmbitos municipal, estadual e federal. “Ninguém vai investir ali para não ter retorno”, afirmou.

Ainda sobre as críticas à implantação do programa “Pró-Moradia”, por conta da classe social dos possíveis moradores, o prefeito ainda ressaltou que o Centro é de todos os campo-grandenses. “Pode ter certeza de que todos estes que estão me atacando devem ter um funcionário pobre lavando a cueca dele ou passando a roupa da madame”, afirmou.

Cobrança

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande) divulgou nota na qual aponta a preocupação com a medida. Foi destacado que defendem a retomada de moradores, mas apontam que é necessário planejamento. “A Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande vê com grande preocupação a notícia de que a prefeitura pretende colocar famílias no prédio do antigo Hotel Campo Grande. A entidade reforça que sempre defendeu o retorno dos moradores ao Centro, porém é preciso que seja feito com planejamento, garantindo bem-estar e qualidade de vida e não simplesmente jogando famílias em um lugar sem qualquer infraestrutura para uma habitação saudável e digna”, diz a nota. (Amanda Amorim e Thais Cintra colaborou Raiane Carneiro)

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