PGR denúncia Trutis ao STF por ter forjado o próprio atentado

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Reprodução

A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou ao STF (Supremo Tribunal Federal) o deputado federal Loester Trutis (PSL-MS), acusado de forjar o próprio atentado, em 2020. Ele é denunciado por três crimes: por comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo.

Na época em que o deputado divulgou o caso na página do Facebook, disse que havia sido vítima de emboscada na BR-060, entre Sidrolândia e Campo Grande. Ele tirou fotos do carro e dos supostos tiros efetuados durante a tal perseguição. Trutis afirmou que o veículo era dirigido pelo assessor Ciro Fidelis. Ele mesmo formalizou denúncia na Polícia Federal dizendo que havia sofrido tentativa de homicídio.

Porém, com o decorrer das investigações, o deputado passou de vítima a investigado pela PF, que afirma que não houve crime algum. A denúncia foi enviada para o STF por se tratar de um caso envolvendo um deputado federal. O STF vai analisar a denúncia, mas não há prazo para a conclusão. Se a acusação for recebida, o deputado passa a ser réu.

O vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, afirmou que a narrativa do deputado é “falsa” e denunciou o parlamentar ao STF. “O que de fato ocorreu foi uma verdadeira simulação de tentativa de homicídio, na qual o parlamentar (A) e seu assessor (B), portando irregularmente arma de fogo de uso permitido, efetuaram disparos em via pública (estrada vicinal adjacente à Rodovia BR-060) contra o veículo”, afirmou Jacques.

A PGR afirmou que “ambos tiveram protagonismo na empreitada criminosa e concorreram igualmente para a prática dos delitos” e que Loester tentou explorar politicamente o fato, uma vez que fez diversas postagens relacionando o falso atentado com a bandeira do armamento.

“Assim, considerando que o porte de arma é uma pauta política defendida intensamente pelo deputado Loester Trutis; o parlamentar, ao noticiar o episódio, atribui ao porte de arma a ausência de lesões e, até mesmo, o escape da ‘morte’; e, ainda, ele aduz ter sido ‘vítima’ em razão de embates políticos no Estado de representação, vislumbra-se a conexão dos fatos apurados com a atividade parlamentar.”

O deputado nega as acusações e diz que a investigação da PF, outrora defendida por ele, está cheia de erros.

No laudo a PF destacou que não houve ninguém perseguindo Trutis de carro, pois imagens de câmeras de segurança foram analisadas e nada foi encontrado. Além disso, a PF afirma que a dupla mentiu durante depoimento e não informou que saiu da Rodovia BR-060 para adentrar em estrada vicinal, onde pararam o carro e o desligaram conforme demonstrou o rastreador do carro. O laudo diz ainda que era impossível Trutis não ser atingido por algum dos tiros na posição em que disse que estava.

(Texto de Andrea Cruz com Antagonista)

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