PF e Ibama agem contra madeireiras que fraudavam notas

A Polícia Federal realizou ontem (29) a Operação Ghostwood contra organização criminosa especializada em fraudar a emissão de documentos de origem de produtos florestais. A operação foi feita em conjunto com o Ibama-MS (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Durante as investigações, foram descobertos a existência de uma associação criminosa voltada à emissão e recebimento de documentos de origem florestal falsos. Além da Capital, as ações aconteceram em outros quatro municípios, sendo um deles no Paraná.

Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, 12 mandados de suspensão de atividade econômica, 12 de interdição e lacração de estabelecimento, todos expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Porã-MS. Houve ainda a emissão de três autos de infração pelo Ibama, durante as ações. Documentos e mídias também foram apreendidos. Na Capital, as equipes do Ibama e da Polícia Federal foram em uma madeireira localizada na Avenida Guaicurus e em uma outra empresa que trabalha com compra, venda e transporte de madeira próximo da Avenida Fernando Corrêa da Costa, na região central. Também foram cumpridos mandados em Ponta Porã, Dourados, Sete Quedas e Umuarama, no Paraná.

De acordo com a PF, apenas uma empresa investigada fraudou documentos para a venda 1,3 mil metros cúbicos de madeira. A investigação começou depois que o Ibama fez auditoria no sistema on-line SisDof (Sistema de Emissão de Documento de Origem Florestal), na qual produtores, transportadores e madeireiras registram as compras e vendas do produto.

“É de responsabilidade do Ibama auditar o sistema e enxergar os fraudes realizados no sistema. No caso dessa operação, o nosso setor de inteligência que reconheceu os indícios dessas fraudes que estão sendo investigada”, assegurou o superintendente do órgão, coronel Luiz Carlos Marchetti.

Ainda conforme o coronel, as distribuidoras compravam lotes de madeira que não existiam para ficar com crédito no SisDof e conseguir revender, no lugar da madeira legalizada, madeira ilegal, mas com registro no sistema.

“Foi encontrado coisas bem toscas no sistema, como por exemplo, o tempo curtíssimo de entrega, a quantidade de madeira, porque a empresa comprava 30 metros cúbicos de madeira legal do produtor, mas eram entregues apenas 3 metros cúbicos, então quando ele fazia a venda dessa madeira que estava como legal no sistema, ele vendia madeira ilegal, ou seja, ele podia vender 27 metros cúbicos de madeira ilegal porque ele tinha o documento da compra e entrega como se tivesse comprado os 30 metros cúbicos legais. Foram encontrados diversos elementos que não condiz com a realidade”, destacou.

Durantes as investigações foi descoberto ainda que uma das empresas investigada já havia sido interditada no ano passado. “Essa empresa, que foi interditada em 2018, abriu um nova filial, com um novo CNPJ, a fim de driblar o sistema de controle”, garantiu o delegado regional executivo da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, Alex Sandro Biegas.

“Ainda estão sendo investigados 8 pessoas físicas e 12 pessoas jurídicas. Na operação estão sendo apreendidos documento, mídias e madeiras existentes no pátio das 10 empresas, sendo duas empresas aqui em Campo Grande”, explicou o delegado Alex Sandro. A operação foi batizada de Ghostwood, na tradução do inglês para o português: “madeira fantasma”. (Rafaela Alves)

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