Modelo de aluguel por temporada tem diárias de até R$ 1,8 mil e 90% dos hóspedes são de Campo Grande
A ideia de viajar sem deixar Campo Grande tem movimentado um novo segmento de hospedagem. Em áreas cercadas pela natureza, cabanas com arquitetura planejada, banheiras, espaços privativos e proposta de isolamento começaram a atrair moradores da própria Capital em busca de descanso nos fins de semana.
O modelo, que une hospedagem e experiência, acompanha uma mudança no comportamento do consumidor: em vez de grandes deslocamentos, parte do público passou a procurar lugares próximos, onde seja possível desacelerar, ter contato com a natureza e manter a privacidade.
Na Chácara dos Poderes, o empresário Willian Kinoshita viu essa demanda surgir antes mesmo de transformar o espaço em negócio. Em 2020, durante a pandemia, ele trabalhava com fotografia de famílias e construiu uma cabana para realizar ensaios após o fechamento dos parques públicos.
O que era apenas um cenário para fotos acabou despertando outro interesse. “Os clientes faziam as fotos e perguntavam se poderiam dormir lá. A mudança para a hospedagem acabou acontecendo sem planejamento”, conta.
A procura levou à criação da primeira unidade voltada para hospedagem em 2022, a Cabana Raízes. Dois anos depois, veio a Cabana Pilar, com projeto mais moderno e voltado principalmente para casais.
Investimento começa em R$ 250 mil Apesar de ocuparem áreas menores do que hotéis tradicionais, as cabanas exigem investimento elevado para oferecer uma experiência diferenciada.
Segundo o empresário, cada unidade demanda entre R$ 250 mil e R$ 400 mil apenas em
construção e adequações. O terreno representa outro custo importante. Na região da Chácara dos Poderes, áreas para esse tipo de empreendimento chegam a cerca de R$ 600 mil.
O retorno vem das diárias. Na Cabana do Park, os valores começam em R$ 700 durante a semana. Nos fins de semana, o pacote com duas noites chega a R$ 1,8 mil. Em períodos de maior procura, como Natal, Ano-Novo e Carnaval, os preços são ajustados conforme a demanda.
Público é formado principalmente por moradores da Capital
Em vez de depender da chegada de visitantes de fora, as cabanas têm como principal público quem mora na própria cidade. Na Cabana do Park, cerca de 90% dos hóspedes são de Campo Grande. Outros 10% vêm do interior do Estado e de diferentes regiões do país.
O empreendimento fica a cerca de dez minutos do Shopping Campo Grande e mantém acesso facilitado a serviços como aplicativos de transporte e alimentação. “A pessoa quer descansar, mas não quer precisar viajar horas para isso. Ela procura um lugar onde tenha sossego e privacidade”, afirma Willian.
A procura varia conforme o perfil da unidade. A Cabana Raízes recebe famílias de até quatro pessoas e possui área para camping. Já a Cabana Pilar foi projetada para casais e recebe pedidos de casamento, comemorações e estadias românticas.
Mercado fora das estatísticas O avanço das cabanas ocorre sem um levantamento consolidado sobre o número de unidades existentes em Mato Grosso do Sul. Como muitos espaços funcionam no
formato de aluguel por temporada, eles ainda não aparecem nos registros tradicionais de meios de hospedagem.
O empresário estima que mais de cem cabanas tenham sido construídas no Estado desde 2025, motivadas pela aceitação do público e pela busca por experiências mais reservadas.
No entanto, este crescimento acompanha uma expansão também percebida no setor formal. Dados do Observatório de Turismo de Campo Grande mostram que a Capital passou de 75 para 77 meios de hospedagem cadastrados entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.
Para o diretor-presidente da Fundtur-MS, Bruno Wendling, o surgimento das cabanas acompanha um movimento observado em outros mercados internacionais, mas o diferencial está na experiência oferecida ao visitante.
“Isso acontece já no mundo todo, mas a gente tem que vir também junto com serviços”, afirma Bruno Wendling.
Por Djeneffer Cordoba
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